Educação • 11:04h • 17 de junho de 2025
Cresce presença de estudantes de escolas públicas nas universidades
Políticas públicas como cotas contribuíram, diz IBGE
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A presença de estudantes que cursaram o ensino médio exclusivamente na rede pública nas universidades brasileiras aumentou nos últimos anos. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, divulgada na sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, 72,6% das pessoas que frequentam ou já frequentaram um curso de graduação vêm de escolas públicas — um percentual maior que os 67,8% registrados em 2016. A mesma tendência é observada na pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado): a taxa subiu de 52,2% para 59,3% neste período.
De acordo com a pesquisadora Adriana Beringuy, o crescimento é fruto de medidas públicas que vêm aumentando o acesso de grupos antes excluídos às universidades, como as cotas, o ProUni e o Fies. “Sem essas estratégias, muitos provavelmente não teriam essa possibilidade”, afirmou.
Ainda segundo o IBGE, 31,3% dos jovens de 18 a 24 anos já tinham concluído ou estavam cursando o ensino superior em 2024 — um percentual maior que o de 2016. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, 20,5% tinham o ensino superior completo (contra 15,4% em 2016), enquanto 4,2% estavam com ele incompleto (ante 3,6%).
A taxa de conclusão da educação básica também aumentou: passou de 46,2% em 2016 para 56% em 2024.
A taxa de conclusão da educação básica é maior nas mulheres (57,8%) do que nos homens (54%) e nas pessoas brancas (63,4%) em relação às negras (50%). A média de anos de estudo também aumentou: de 9,1 para 10,1. Entre os homens, passou de 8,9 para 9,9; nas mulheres, de 9,2 para 10,3. Entre os brancos, a média chegou a 11, enquanto para os negros ficou em 9,4.
A Pnad revela ainda que, na faixa etária de 15 a 29 anos, 16,4% trabalhavam e estudavam, 39,9% trabalhavam, mas não estavam na sala de aula, 25,3% estavam apenas estudando e 18,5% nem trabalhavam nem estudavam — um percentual que caiu em relação a 2023 (19,8%) e 2019 (22,4%). Isso significa que 8,9 milhões de jovens estavam nessa situação em 2024.
Ainda assim, 8,7 milhões de jovens de 14 a 29 anos estavam fora da escola, por já terem abandonado ou nem iniciado os estudos — um número menor que os 9,3 milhões de 2023. A principal razão para o abandono é a necessidade de trabalhar (42%). Entre os homens, essa taxa é ainda maior (53,6%). Entre as mulheres, o trabalho é o principal motivo junto à gravidez (23,4%). Outros 9% das mulheres deixaram de estudar para se dedicar às atividades domésticas ou ao cuidado de outras pessoas — enquanto essa razão é citada por apenas 0,8% dos homens.
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