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Ciência e Tecnologia • 08:31h • 27 de dezembro de 2025

Por que os rituais de Réveillon mexem tanto com a mente, segundo a neurociência

Símbolos de recomeço funcionam como âncoras emocionais, mas exigem equilíbrio para não virar fonte de ansiedade

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Viva | Foto: Divulgação

Rituais de Réveillon ativam o cérebro e ajudam a organizar emoções, explica neuropsicóloga
Rituais de Réveillon ativam o cérebro e ajudam a organizar emoções, explica neuropsicóloga

A virada do ano é mais do que uma mudança no calendário. Para o cérebro, o Réveillon funciona como um marco simbólico de encerramento e reinício, capaz de influenciar diretamente a saúde mental. É o que explica a neuropsicóloga Aline Graffiette, ao analisar por que rituais como vestir branco, fazer pedidos ou definir intenções exercem tanto impacto emocional nas pessoas.

Logo no início do novo ano, o cérebro interpreta esses símbolos como sinais de fechamento de ciclo e abertura para novas possibilidades. Esse mecanismo ajuda a organizar emoções, reduzir a sensação de incerteza e criar uma percepção de continuidade entre o que ficou para trás e o que está por vir.

Segundo a especialista, os rituais de Réveillon funcionam como estratégias inconscientes de regulação emocional. Ao repetir gestos simbólicos, o cérebro encontra previsibilidade e sensação de controle, dois fatores fundamentais para diminuir a ansiedade, especialmente após um ano marcado por desafios pessoais, sociais ou profissionais.

Do ponto de vista neuropsicológico, esses símbolos atuam como âncoras emocionais. Eles ajudam o cérebro a reconhecer o fim de um ciclo, reduzindo a ruminação, aquele padrão de pensamento repetitivo ligado a erros, perdas ou frustrações. Quando esse encerramento simbólico acontece, há liberação de energia cognitiva para novas experiências e decisões.

Aline explica que o Réveillon também ativa áreas ligadas à emoção e à memória, como o sistema límbico. Por isso, sentimentos distintos costumam coexistir na mesma noite. Esperança, gratidão, ansiedade e até tristeza podem surgir ao mesmo tempo, uma resposta considerada natural diante de momentos de transição e avaliação da própria trajetória.

Outro efeito importante dos rituais está ligado à percepção de autocuidado. Em contextos onde muitas situações fogem ao controle, pequenos gestos simbólicos fazem o cérebro perceber que algo está sendo organizado internamente. Essa sensação contribui para a autorregulação emocional e para a redução do estresse, mesmo que de forma sutil.

O alerta surge quando esses rituais deixam de ser escolhas e passam a se transformar em obrigação. Para a neuropsicóloga, quando a virada do ano vira uma cobrança por felicidade imediata, sucesso rápido ou mudanças radicais, o cérebro responde com frustração e ansiedade, e não com alívio. A expectativa exagerada pode anular o efeito positivo do simbolismo.

A orientação é encarar o Réveillon como um momento de reflexão e significado, não como um ponto de pressão. O cérebro, segundo Aline, responde melhor a recomeços que respeitam o tempo, os limites individuais e a complexidade emocional de cada pessoa. A virada não precisa ser perfeita, precisa fazer sentido para quem a vive.

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