Ciência e Tecnologia • 15:32h • 23 de maio de 2026
É preciso desaprender para conviver com a IA, explica Silvio Meira
Engenheiro é um dos fundadores de polo tecnológico no Recife
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: CIn-UFPE/Divulgação
No início da década de 1990, um grupo de artistas pernambucanos lançou o manifesto Caranguejos com Cérebro, dando origem ao movimento manguebeat, que misturava maracatu, reggae, hip hop e tecnologia. Inspirados por esse ambiente de criatividade e inovação, professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE) decidiram criar um centro voltado ao desenvolvimento tecnológico para evitar a saída de talentos da região.
Assim nasceu, em 1996, o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR). A iniciativa se tornou uma das bases para a criação do Porto Digital, atualmente um dos principais polos de inovação do Brasil, reunindo quase 500 empresas de tecnologia no Recife Antigo.
Entre os fundadores do CESAR está o engenheiro e escritor Silvio Meira, que agora retorna ao Conselho de Administração da instituição. Segundo ele, o avanço acelerado da inteligência artificial exige uma retomada das origens do centro, marcado pela inovação e pela capacidade de adaptação.
Para Meira, a inteligência artificial representa um dos maiores desafios já enfrentados pela humanidade porque afeta diretamente tarefas cognitivas e repetitivas realizadas pelos seres humanos. Ele explica que a tecnologia consegue executar, em larga escala e com menor custo, atividades que antes dependiam exclusivamente da capacidade humana.
O especialista cita como exemplo áreas como programação, nas quais sistemas de IA já conseguem produzir grande parte dos códigos utilizados por desenvolvedores. Nesse cenário, o papel humano deixa de ser apenas operacional e passa a exigir mais análise, supervisão e tomada de decisão.
Inteligência artificial muda rotina das empresas
Segundo Silvio Meira, empresas ligadas ao ecossistema do Porto Digital já incorporaram a inteligência artificial ao cotidiano de praticamente todas as áreas, como recursos humanos, atendimento, marketing e desenvolvimento tecnológico.
Ele afirma que, em algumas empresas derivadas do CESAR, o uso de agentes inteligentes deixou de ser opcional. A proposta é automatizar tarefas repetitivas para aumentar produtividade e velocidade nos processos.
Como exemplo, Meira cita projetos que antes demandavam equipes maiores e meses de trabalho e que agora podem ser executados em poucas semanas com equipes reduzidas graças ao uso da IA.
Apesar disso, ele ressalta que as pessoas continuam essenciais no processo. Para o especialista, a inteligência artificial não substitui completamente os humanos, mas transforma profundamente a forma de trabalhar e exige novas habilidades.
Meira também alerta para a necessidade de adaptação diante das mudanças tecnológicas. Segundo ele, profissões baseadas em atividades repetitivas tendem a ser cada vez mais impactadas pela automação, enquanto cresce a importância de funções ligadas à análise, criatividade e validação das informações produzidas pelas máquinas.
O engenheiro ainda defende o debate sobre regulação das plataformas digitais e da inteligência artificial. Para ele, o avanço tecnológico exige regras claras, participação da sociedade e mecanismos capazes de equilibrar inovação, segurança e responsabilidade no ambiente digital.
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