Economia • 14:34h • 25 de julho de 2026
A mensalidade é só parte da conta; veja quanto a educação dos filhos pode pesar no orçamento
Material escolar, uniforme, transporte e reajustes anuais costumam ficar fora do planejamento das famílias; segundo semestre é considerado o melhor momento para organizar as contas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Arquivo/Âncora1
Quando o assunto é educação dos filhos, muitas famílias calculam apenas o valor da mensalidade escolar. No entanto, especialistas alertam que esse é um dos principais erros do planejamento financeiro. Despesas como material escolar, uniformes, transporte, atividades extracurriculares e os reajustes anuais podem elevar significativamente os gastos ao longo do ano.
Em um cenário em que o Brasil registra 83,7 milhões de inadimplentes, o equivalente a 50,95% dos lares, segundo dados da Serasa, organizar as finanças ainda no segundo semestre pode evitar dificuldades quando chegar o período de rematrículas.
Mensalidade representa apenas parte do investimento
De acordo com Leônidas Cristino, diretor financeiro do isaac, a educação deve ser encarada como uma despesa permanente, e não apenas como o pagamento da mensalidade.
Segundo ele, um planejamento eficiente precisa incluir todos os custos envolvidos na rotina escolar.
"O ideal é calcular uma margem de segurança sobre o valor da mensalidade. Se ela é de R$ 1.000, por exemplo, o planejamento financeiro deveria considerar um gasto entre R$ 1.200 e R$ 1.300 por mês para contemplar essas despesas extras", orienta.
Cartão de crédito pode agravar o endividamento
Outro ponto de atenção é o uso do cartão de crédito para cobrir despesas recorrentes.
Segundo Leônidas, o cartão pode ser uma ferramenta útil quando utilizado com planejamento, mas se transforma em um problema quando passa a financiar gastos que ultrapassam a capacidade de pagamento da família.
"O cartão de crédito acabou se tornando uma saída para suprir necessidades básicas de muitas famílias. Hoje, 75% dos brasileiros parcelam suas compras, mas a inadimplência com cartão supera 50%. Com juros elevados, esse acaba sendo um dos caminhos mais rápidos para ampliar o endividamento", afirma.
Segundo semestre é o melhor momento para começar a se preparar
Para o especialista, esperar o período das rematrículas para organizar as finanças costuma aumentar o impacto no orçamento.
A recomendação é aproveitar o segundo semestre para criar uma reserva específica para a educação dos filhos, distribuir despesas previsíveis ao longo dos meses e considerar, desde já, os reajustes anuais das mensalidades escolares.
Segundo ele, esses aumentos costumam variar entre 8% e 10% ao ano e, quando previstos com antecedência, reduzem o risco de comprometer outras metas financeiras da família.
Planejamento reduz o risco de dívidas
Leônidas destaca que tratar a educação como um investimento previsível permite decisões financeiras mais equilibradas.
"Quanto antes a educação fizer parte do planejamento financeiro da família, menor a chance de que os custos do próximo ano letivo se transformem em uma fonte de preocupação. Acompanhar receitas e despesas, criar uma reserva para gastos escolares e se preparar para despesas previsíveis são hábitos que ajudam a evitar dívidas e tornam esse investimento muito mais sustentável", conclui.
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