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Saúde • 16:13h • 09 de janeiro de 2026

A nova face do vício, dopamina fácil e perda de controle emocional em alta no Brasil

Psicólogo aponta que estímulos digitais, apostas e compras rápidas criam padrão silencioso de dependência emocional no Brasil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Foco Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Dopamina instantânea vira armadilha emocional e preocupa especialistas no Janeiro Branco
Dopamina instantânea vira armadilha emocional e preocupa especialistas no Janeiro Branco

O mês do Janeiro Branco, dedicado à conscientização sobre saúde mental, traz à tona um comportamento cada vez mais presente no cotidiano: a busca contínua por alívio emocional imediato. Apostas on-line, rolagem infinita nas redes sociais, compras por impulso, pornografia, jogos digitais e até o consumo compulsivo de notícias fazem parte de um mesmo padrão, sustentado pela liberação rápida de dopamina.

Segundo o psicólogo clínico Leonardo Teixeira, especialista em comportamentos compulsivos, trata-se de um tipo de vício menos visível do que o álcool ou as drogas, mas com impacto profundo na saúde emocional. Para ele, o foco não está no comportamento em si, mas na função que ele passou a cumprir na vida das pessoas.

De acordo com o especialista, o problema surge quando estímulos que antes eram pontuais passam a ser usados como estratégia recorrente para aliviar frustração, cansaço, ansiedade e sensação de vazio. O alívio momentâneo dá lugar a um ciclo repetitivo, marcado por culpa, arrependimento e necessidade crescente de repetição do estímulo.

Quando o alívio vira uma prisão silenciosa

Em um contexto de estresse financeiro, excesso de responsabilidades, comparações constantes e cobrança por desempenho, o cérebro tende a buscar recompensas rápidas. Esse cenário transforma hábitos cotidianos em mecanismos de sobrevivência emocional, que escapam do controle sem que a pessoa perceba.

A lógica, segundo o psicólogo, é recorrente: expectativa de alívio, uso do estímulo, sensação breve de conforto e, em seguida, frustração e culpa. O cérebro passa a associar o alívio não ao prazer, mas à expectativa do que pode acontecer, o que reforça comportamentos compulsivos e aumenta a dificuldade de interrupção.

Por que janeiro é um período mais vulnerável

O início do ano reúne fatores emocionais que ampliam a fragilidade psíquica. Entre eles estão o balanço de metas não cumpridas, a pressão social por recomeços, o impacto financeiro do fim de ano, a solidão, a comparação social e o cansaço acumulado. Com a redução da hiperestimulação típica das festas, surgem silêncios e reflexões que muitas pessoas tentam evitar.

Nesse contexto, a compulsão tende a se intensificar como forma de anestesiar emoções difíceis. A facilidade de acesso aos estímulos, disponíveis a qualquer momento no celular, contribui para reduzir a tolerância ao desconforto, ao tédio e à espera, tornando o cérebro mais impulsivo.

Sinais de que a dopamina virou dependência

Entre os principais alertas estão o aumento progressivo do tempo ou do dinheiro gasto em estímulos digitais, irritação ou ansiedade quando o acesso é interrompido, sensação de perda de controle, tentativas repetidas e frustradas de reduzir o comportamento, prejuízos no sono, na produtividade e nas relações sociais.

Quando o estímulo passa a ditar decisões e rotinas, e não o contrário, o quadro deixa de ser apenas um hábito e passa a indicar dependência comportamental.

Caminhos para buscar ajuda

O tratamento envolve psicoterapia especializada, atendimento em serviços públicos como os Centros de Atenção Psicossocial, participação em grupos de apoio, criação de limites de uso em aplicativos e construção de rotinas mais equilibradas, com estratégias de prevenção de recaídas.

Para o especialista, tratar o tema sem culpa é fundamental. A dependência comportamental não é sinal de fraqueza, mas um transtorno reconhecido, que pode e deve ser tratado com apoio profissional.

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