Responsabilidade Social • 13:41h • 11 de março de 2026
Abelhas viram aliadas contra elefantes e ajudam a proteger plantações na África
Projeto usa colmeias como barreiras naturais para evitar conflitos entre animais e agricultores e ainda gerar renda para comunidades locais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
Cerca de 75% das culturas agrícolas do mundo dependem da polinização feita por abelhas. Em algumas regiões da África, porém, esses pequenos insetos passaram a desempenhar um papel ainda mais estratégico. Além de contribuir para a produção de alimentos, eles estão ajudando a reduzir um dos principais conflitos ambientais do continente: o choque entre comunidades rurais e elefantes em busca de alimento.
Quando manadas invadem plantações, o impacto pode ser devastador. Em poucos minutos, famílias inteiras podem perder lavouras que representam sua principal fonte de renda. O resultado costuma ser um ciclo de prejuízo econômico, insegurança alimentar e represálias contra os animais, colocando em risco tanto a vida selvagem quanto as comunidades locais.
Para enfrentar esse problema surgiu o projeto ERP Honey, iniciativa de impacto socioambiental apoiada pela EPI-USE Brasil. A proposta utiliza colmeias instaladas em pontos estratégicos como barreiras naturais para proteger lavouras e árvores ameaçadas. Ao mesmo tempo, a produção de mel cria uma nova fonte de renda para moradores das comunidades envolvidas.
A estratégia funciona porque os elefantes evitam áreas com presença de abelhas. Ao instalar as chamadas cercas de colmeias, o projeto consegue reduzir significativamente a invasão de plantações e a derrubada de árvores. Em vez de cercas elétricas ou barreiras agressivas, a solução utiliza o próprio equilíbrio do ecossistema.
Projeto usa abelhas para proteger árvores e comunidades africanas
Uma das áreas onde a iniciativa está em operação é a Reserva de Caça ERP Melorane, na África do Sul, próxima a uma das maiores regiões de conservação do país. A área abriga um santuário de rinocerontes e deverá receber elefantes no futuro, o que torna essencial a adoção de medidas preventivas para proteger árvores antigas e espécies ameaçadas.
A equipe do projeto também realiza um levantamento de árvores grandes e vulneráveis para identificar quais podem ser protegidas com colmeias. Em um caso recente, uma árvore conhecida como árvore de chumbo recebeu uma colmeia instalada a cerca de dois metros do solo. A estrutura já está ocupada por abelhas africanas e ajudou a reduzir o risco de a árvore ser derrubada por elefantes.
Além da proteção ambiental, o projeto gera impacto direto na vida das comunidades. Em Melorane já existem 11 apicultores locais e 330 colmeias instaladas. Em Madikwe, outra frente da iniciativa, 14 novos apicultores foram treinados e já instalaram 180 das 200 colmeias previstas. Para muitos deles, a produção de mel representa a primeira oportunidade de renda estável.
O aumento da população de abelhas também fortalece o ecossistema. A polinização contribui para a regeneração da vegetação e melhora a segurança alimentar das comunidades, ampliando a produção agrícola local.
Segundo Roberto Medeiros, CEO da ERP Brasil, o projeto demonstra que soluções ambientais podem gerar benefícios sociais e econômicos ao mesmo tempo. Ele afirma que iniciativas desse tipo mostram que é possível proteger a biodiversidade, reduzir conflitos com a fauna e criar oportunidades para as populações locais.
Mais do que produzir mel ou proteger plantações, a iniciativa revela uma mudança de perspectiva. Muitas soluções sustentáveis já estão presentes na própria natureza. O desafio é aprender a trabalhar com ela.
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