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Ciência e Tecnologia • 13:10h • 01 de março de 2026

AEB firma acordo para ampliar capacidade nacional em balões estratosféricos

Além de permitir acessar uma faixa da atmosfera onde aviões não operam, eles possibilitam o testes de sensores e tecnologias em condições muito próximas às do ambiente espacial

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto:Divulgação/Zephalto

Na gôndola do balão — onde em balões comuns seres humanos aproveitam o passeio — materiais como sensores meteorológicos (temperatura, pressão, umidade); espectrômetros; radiômetros; coletores de gases; câmeras; detectores de radiação e protótipos tecnológicos a serem testados, vão embarcados.
Na gôndola do balão — onde em balões comuns seres humanos aproveitam o passeio — materiais como sensores meteorológicos (temperatura, pressão, umidade); espectrômetros; radiômetros; coletores de gases; câmeras; detectores de radiação e protótipos tecnológicos a serem testados, vão embarcados.

A ciência brasileira avança no fortalecimento de sua autonomia com a assinatura de uma carta de acordo que amplia a rede de lançamento de balões estratosféricos no país. A iniciativa integra o projeto de Implantação do Centro de Operações com Balões da Região Amazônica (Cobra), voltado à coleta de dados atmosféricos em altitudes elevadas e ao teste de tecnologias que futuramente poderão ser embarcadas em satélites.

Os balões estratosféricos permitem acessar camadas da atmosfera onde aviões não operam, funcionando como plataformas para sensores e equipamentos científicos. Eles transportam instrumentos como medidores de temperatura, pressão e umidade, além de espectrômetros, radiômetros, detectores de radiação, câmeras e protótipos tecnológicos. Segundo o coordenador de Segmento Solo da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Eduardo Quintanilha, o uso desses balões reduz custos, diminui riscos e amplia a soberania tecnológica do Brasil ao permitir testes em condições próximas às do ambiente espacial.

O acordo — Carta nº 01/AEB/2025 — foi firmado entre a AEB, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Universidade Federal do Tocantins (UFT), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Tocantins (Fapto). O objetivo é fortalecer o Cobra como infraestrutura técnico-científica dedicada ao planejamento, execução e recuperação de missões com balões estratosféricos.

A proposta inclui capacitação de pesquisadores, técnicos e estudantes para operar missões de forma autônoma, dominando todas as etapas: integração de experimentos, monitoramento de voo, análise de dados e aprimoramento tecnológico contínuo. A iniciativa busca recuperar uma capacidade que o país já teve no passado e formar equipes aptas a conduzir missões complexas, com cargas úteis capazes de permanecer dias na estratosfera.

Além de impulsionar o setor espacial, o projeto tem impacto direto na vida da população. Os dados coletados contribuem para melhorar a previsão do tempo, antecipar eventos extremos, como chuvas intensas e secas, apoiar alertas de risco, monitorar queimadas e ampliar a produtividade agrícola sem expansão do desmatamento. Informações sobre circulação de ventos, umidade e composição atmosférica alimentam modelos científicos usados por órgãos de prevenção e planejamento.

O Cobra também promoverá intercâmbio de conhecimento entre instituições brasileiras e estrangeiras, com cursos, oficinas, visitas técnicas, desenvolvimento de equipamentos e voos experimentais. A capacitação das equipes ampliará as oportunidades de envio de experimentos científicos ao espaço por meio de chamadas públicas para universidades brasileiras.

A iniciativa dá continuidade à cooperação entre Brasil e França iniciada em 2021 com o Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES). Em 2023, foi assinada carta de intenções para implementação de uma base de lançamento em Palmas (TO). Em 2025, a UFT adquiriu o terreno destinado à base, consolidando mais uma etapa do projeto.

Criada em 1994, a AEB é o órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae) e responsável por coordenar a Política Espacial Brasileira. Ao estruturar parcerias e ampliar a infraestrutura nacional, a agência busca transformar projetos estratégicos em capacidades permanentes para o país, fortalecendo a autonomia brasileira no setor espacial.


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