Saúde • 19:22h • 01 de agosto de 2026
Agosto Dourado: amamentar também protege a saúde da mãe e reduz o risco de câncer de mama
Neste Dia Mundial da Amamentação, especialista destaca que cada 12 meses de aleitamento reduzem em 4,3% o risco da doença ao longo da vida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MK | Foto: Divulgação
O mês de agosto começou neste sábado (1º) com uma das campanhas de saúde mais importantes do calendário: o Agosto Dourado, dedicado ao incentivo ao aleitamento materno. A data também marca o Dia Mundial da Amamentação, celebrado em 1º de agosto, reforçando uma mensagem que vai muito além da alimentação do bebê: amamentar também é uma forma de cuidar da saúde da mulher.
Embora os benefícios do leite materno para o desenvolvimento infantil sejam amplamente conhecidos, especialistas chamam atenção para um aspecto que ainda recebe pouca divulgação. Segundo o ginecologista Dr. Alexandre Rossi, responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, o aleitamento materno está associado à redução do risco de câncer de mama e de outras doenças.
"A amamentação é frequentemente apresentada como um ato de amor ao filho, e é. Mas também é um ato de cuidado com a própria saúde. Os dados sobre redução de risco de câncer de mama são sólidos e precisam chegar às mulheres, especialmente àquelas com histórico familiar ou outros fatores de risco", afirma o especialista.
Um dado que merece mais atenção
Um estudo publicado na revista científica The Lancet, envolvendo mais de 146 mil mulheres de 30 países, concluiu que cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de desenvolvimento de câncer de mama ao longo da vida.
Segundo os pesquisadores, o efeito é cumulativo. Isso significa que quanto maior o tempo total de amamentação ao longo das gestações, maior tende a ser a proteção.
Os benefícios ocorrem porque, durante esse período, as células da mama passam por um processo de maturação e renovação, tornando-se mais resistentes ao desenvolvimento de alterações malignas. A redução da exposição ao estrogênio durante a fase de amamentação também contribui para esse efeito protetor.
Cada ano de amamentação reduz o risco de câncer de mama, aponta estudo internacional
Benefícios vão além da prevenção do câncer
A amamentação também está associada à redução do risco de câncer de ovário, ajuda na recuperação do útero após o parto, auxilia no controle do peso no pós-parto e pode contribuir para diminuir o risco de depressão pós-parto.
Outro aspecto importante é o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, favorecendo o desenvolvimento emocional da criança e proporcionando benefícios para a saúde mental materna.
"O aleitamento completa o desenvolvimento da mama iniciado ainda na vida embrionária e continuado durante a gravidez. Não é apenas nutrição para o bebê, mas um processo biológico que favorece profundamente a saúde física e emocional da mulher", destaca o Dr. Alexandre Rossi.
Recomendação da OMS e do Ministério da Saúde
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam amamentação exclusiva até os seis meses de idade e sua continuidade, juntamente com outros alimentos, até os dois anos ou mais.
A meta da OMS é que pelo menos metade dos bebês menores de seis meses receba exclusivamente leite materno. No Brasil, o objetivo é ainda mais ambicioso: alcançar 70% até 2030.
Quando a amamentação não é indicada
Apesar de ser recomendada para a maioria das mulheres, existem situações em que o aleitamento precisa ser evitado ou adiado, sempre com orientação médica.
Entre as contraindicações estão infecção materna por HIV, HTLV-1 e HTLV-2, tratamento oncológico com determinados medicamentos ou radioterapia, lesões de herpes na região da aréola com risco de transmissão e situações específicas relacionadas à hepatite B até que o recém-nascido receba a imunização adequada.
Por isso, especialistas reforçam que o acompanhamento durante o pré-natal é fundamental para orientar cada gestante de acordo com sua realidade clínica.
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