Responsabilidade Social • 13:53h • 05 de fevereiro de 2026
Agricultura regenerativa reduz pragas em lavouras de café no Cerrado Mineiro
Pesquisa mostra queda de cerca de 30% no bicho-mineiro ao transformar plantações em sistemas próximos a uma floresta
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Link Comunicação | Foto: Divulgação
Transformar lavouras de café em sistemas agrícolas mais próximos de uma floresta pode reduzir significativamente a incidência de pragas. É o que mostra uma pesquisa conduzida em fazendas do Cerrado Mineiro, que registrou redução de cerca de 30% nos ataques do bicho-mineiro, principal praga da cafeicultura brasileira, a partir da adoção de práticas de agricultura regenerativa.
O estudo é resultado de uma parceria entre a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Nespresso, envolvendo 14 propriedades rurais da região. Entre elas está a Fazenda São Mateus, produtora do Guima Café, reconhecido internacionalmente pela qualidade e pioneirismo na adoção de práticas sustentáveis.
Como funciona o modelo testado
A pesquisa avaliou o impacto do plantio de cobertura vegetal nas entrelinhas do café, aliado à introdução de árvores e arbustos em corredores ecológicos entre as lavouras. O objetivo foi atrair insetos e organismos considerados inimigos naturais das pragas, reduzindo a dependência de defensivos químicos e aumentando a resiliência das plantações frente às mudanças climáticas.
Segundo a pesquisadora Madelaine Venzon, da Epamig, que coordena o estudo iniciado em 2021, a proposta é aproximar o sistema agrícola do funcionamento de um ecossistema natural. “É como uma agrofloresta em linhas. A agricultura regenerativa tem como pilares a saúde do solo e a reversão da perda de biodiversidade”, explica.

Resultados observados após quatro anos
Os dados preliminares, apresentados após quatro anos de acompanhamento, indicam aumento expressivo da presença de vespas, formigas e ácaros predadores, organismos que atuam no controle biológico de pragas do café. Em algumas áreas, a população do bicho-mineiro chegou a cair quase pela metade.
“Observamos um aumento geral da diversidade de insetos benéficos. Eles são bioindicadores importantes, quanto maior a diversidade, mais próximo o sistema está de uma floresta”, afirma Venzon. Segundo a pesquisadora, eventos climáticos extremos afetam diretamente esses organismos, o que torna a diversidade um fator-chave para a estabilidade da lavoura.
Benefícios ambientais e produtivos
Além da redução de pragas, o sistema contribui para a melhoria do solo, manutenção da umidade, maior equilíbrio térmico e fortalecimento de serviços ecossistêmicos como polinização e controle biológico. A proposta também responde a um dos principais desafios da cafeicultura atual: produzir com menor impacto ambiental e maior adaptação às mudanças do clima.
Para Ricardo de Oliveira, supervisor do Guima Café, os resultados confirmam uma prática já adotada pela fazenda. “Quanto mais a lavoura se aproxima do funcionamento de uma floresta, mais resiliente ela se torna. Esse é o caminho que escolhemos para produzir café de excelência e, ao mesmo tempo, regenerar o meio ambiente”, afirma.
Certificações e reconhecimento
O Guima Café reúne certificações raras entre produtores de cafés especiais, como Rainforest Alliance, Certifica Minas, AAA da Nespresso e Café Practices. A fazenda também foi a quarta do mundo a conquistar a certificação britânica Regenagri, voltada especificamente à agricultura regenerativa aplicada à cafeicultura.
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