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Economia • 15:00h • 06 de janeiro de 2026

Agronegócio cresce, mas participação na economia cai para 25,1%, aponta estudo do IBPT

Levantamento apresentado no III Fórum Agro mostra avanço do setor em valores absolutos, mas perda de espaço relativo diante do ritmo mais acelerado de outros segmentos da economia

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da IBPT | Foto: Arquivo/Âncora1

Estudo do IBPT mostra avanço do agronegócio e queda de peso relativo
Estudo do IBPT mostra avanço do agronegócio e queda de peso relativo

O agronegócio brasileiro manteve trajetória de crescimento nos últimos anos, mas perdeu participação relativa no conjunto da economia nacional. É o que aponta um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), realizado em parceria com sua spin-off Empresômetro e apresentado durante o III Fórum Agro. Segundo o levantamento, o setor cresceu 9,0% entre 2022 e 2024, alcançando R$ 12,3 trilhões em valores transacionados, mas sua fatia no total da economia caiu de 33,0% para 25,1% no período.

A análise indica que, embora o agronegócio siga expandindo, outros setores cresceram em ritmo mais acelerado, o que reduziu o peso relativo do campo no conjunto das transações econômicas. O movimento pode sinalizar maior diversificação da economia brasileira ou um ciclo mais intenso de dinamismo nos segmentos industrial e de serviços.

Economia mais aquecida e transações em alta

O estudo do IBPT mostra que o volume total de valores transacionados por todos os setores da economia passou de R$ 34,3 trilhões em 2022 para R$ 49,1 trilhões em 2024, uma alta acumulada de 43,3% em dois anos. Apenas entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 38,8%, evidenciando um período de forte aquecimento econômico.

De acordo com o IBPT, esse avanço reflete aumento expressivo nas movimentações registradas, incluindo compras, vendas, transferências e remessas. A aceleração mais intensa em 2024 sugere um cenário de maior atividade logística, recomposição de estoques e retomada de investimentos em diversos setores da economia.

Quando a análise considera apenas valores comercializados, ou seja, operações efetivas de compra e venda, o crescimento também é significativo. Os números avançaram de R$ 23,1 trilhões em 2022 para R$ 33,4 trilhões em 2024, um salto de 44,4% no período. Para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o dado reforça que o crescimento não está restrito a ajustes contábeis ou movimentações internas, mas reflete maior volume real de negócios no mercado.


Produtor rural ganha espaço dentro do agro

O levantamento também detalha o desempenho do produtor rural dentro do agronegócio. Entre 2022 e 2024, os valores transacionados por produtores cresceram 10,6%, com leve aumento de participação relativa no setor, de 18,7% para 19,0%. O resultado aponta maior protagonismo desses agentes, indicando mais produção própria e maior volume de operações formalmente registradas.

Segundo o diretor do IBPT, Carlos Pinto, os dados mostram que a economia como um todo está se movimentando mais, mas também acendem um alerta para o agro. Na avaliação dele, o crescimento concentrado em outros setores exige que o agronegócio invista em eficiência, logística e estratégias de comercialização para acompanhar o novo patamar de dinamismo econômico.

Apesar do avanço interno, a participação do produtor rural no total da economia brasileira também recuou, de 5,5% em 2023 para 4,2% em 2024, acompanhando a queda relativa do próprio agronegócio. O cenário indica que, mesmo competitivo dentro do setor, o campo enfrenta um ambiente mais disputado no contexto geral da economia.

Mais produtores, mais formalização

Em números absolutos, o total de produtores rurais no país cresceu de 5,38 milhões em 2022 para 5,58 milhões em 2024, um aumento de 3,7%. Entre 2023 e 2024, o crescimento foi mais moderado, de 1,0%, sugerindo certa estabilização no ritmo de entrada de novos produtores.

Os produtores individuais, registrados como pessoa física, seguem predominando e representam cerca de 71% da base total. Esse grupo cresceu 3,5% no acumulado de dois anos. Já os produtores organizados como pessoas jurídicas ou equiparados apresentaram expansão proporcionalmente maior, de 4,4% entre 2022 e 2024, ainda que em ritmo mais contido no último ano.

Para o IBPT, esse movimento indica avanço gradual da formalização e da profissionalização no campo, com mais produtores adotando estruturas empresariais para acessar crédito, benefícios fiscais e ampliar a escala de produção. A entidade avalia que políticas públicas e programas de incentivo precisam considerar esse cenário, com soluções diferenciadas para pequenos produtores e para grupos empresariais do agronegócio.

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