Saúde • 08:21h • 18 de julho de 2025
Alerta: Brasil volta a figurar entre os países com mais crianças sem vacinação
Relatório da OMS e do Unicef revela que 229 mil crianças brasileiras não receberam a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche em 2024
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil voltou à lista dos 20 países com o maior número de crianças não vacinadas contra difteria, tétano e coqueluche (vacina DTP), segundo relatório divulgado na segunda-feira (14) pelo Unicef e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2024, o país registrou 229 mil crianças que não tomaram sequer a primeira dose da vacina — número que representa 16,8% do total de crianças não imunizadas na América Latina e no Caribe.
Com isso, o Brasil ocupa a 17ª posição no ranking global, ficando atrás de países como Mianmar, Camarões e Costa do Marfim. Na região latino-caribenha, apenas o México tem um número maior de crianças sem DTP: 341 mil.
Entre 2000 e 2012, o Programa Nacional de Imunizações mantinha taxas de cobertura acima de 98% para a primeira dose da DTP. Mas a partir de 2019, esse índice começou a cair, chegando a 70%. A pandemia de Covid-19 agravou o cenário — em 2021, a cobertura recuou para 68%. Em 2023, houve melhora, com uma taxa de 91%, mas ainda abaixo do ideal de 95% recomendado pela OMS para evitar a circulação dessas doenças.
O relatório destaca quatro fatores principais para a queda na cobertura vacinal:
- Dificuldade de acesso: infraestrutura precária, distância dos postos de saúde e transporte inadequado dificultam a vacinação em áreas rurais e periferias urbanas;
- Problemas logísticos: falhas no fornecimento e na cadeia de frio afetam a distribuição das vacinas;
- Desinformação: campanhas antivacina e fake news nas redes sociais aumentam a hesitação dos pais;
- Recursos escassos: cortes no financiamento e na cooperação internacional prejudicam ações de campo.
Especialistas alertam para a necessidade de uma resposta coordenada. “É essencial reforçar a comunicação com a população, capacitar as equipes de saúde e retomar campanhas de vacinação em domicílio”, afirma a infectologista Maria Borges, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ela também defende maior envolvimento de prefeituras e organizações sociais para recuperar o público perdido durante a pandemia.
O Ministério da Saúde informou que planeja uma força-tarefa em 2025 para ampliar a vacinação infantil, com mutirões regionais, treinamentos e uso de aplicativos para lembrar pais e responsáveis sobre a importância da imunização. A meta é retomar a cobertura de 95% da DTP1 até o fim do próximo ano.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos