Saúde • 07:23h • 30 de setembro de 2026
Além de órgãos e córneas, pele também pode ser doada; entenda como ela é utilizada
Tecido funciona como cobertura temporária em áreas lesionadas, mas falta de informação ainda contribui para a recusa das famílias à doação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
Quando grandes áreas do corpo são atingidas por queimaduras, a perda da pele compromete uma das principais barreiras de proteção do organismo e aumenta o risco de infecções, perda de líquidos e outras complicações. Em determinados casos, pele proveniente de doação pode ser utilizada como cobertura temporária das lesões, auxiliando no tratamento enquanto o paciente passa pelas demais etapas de recuperação.
O recurso é utilizado, por exemplo, no Hospital Geral de Vila Penteado, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e referência no atendimento a queimados na zona norte da capital. O tecido doado ajuda a proteger as áreas lesionadas em pacientes que sofreram queimaduras extensas.
A demanda por tratamentos especializados é significativa. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), cerca de 70 mil internações provocadas por queimaduras são registradas anualmente na rede pública de saúde brasileira.
Por que a pele doada é importante
A pele exerce funções essenciais, como proteção contra agentes externos e manutenção da hidratação e da temperatura corporal. Quando uma queimadura destrói grandes áreas desse tecido, o organismo perde parte dessa proteção natural.
Nessas situações, a pele doada pode ser empregada para cobrir temporariamente as regiões afetadas. O procedimento integra a estratégia de tratamento dos casos graves e permite proteger as lesões durante o processo de recuperação.
Apesar dessa possibilidade, a doação de pele ainda enfrenta resistência e desconhecimento. Segundo David Ribeiro, coordenador da Unidade de Queimados do Hospital Geral de Vila Penteado, muitas pessoas desconhecem tanto a possibilidade de doar esse tecido quanto sua utilização no atendimento aos pacientes.
“Ainda existe muito desconhecimento sobre a doação de pele. Muitas pessoas não sabem que esse tecido pode ser utilizado no tratamento de pacientes com queimaduras e que existem protocolos rigorosos para todo o processo”, afirma.
Família precisa autorizar a doação
Assim como ocorre com outros tecidos e órgãos, a doação de pele após a morte depende da autorização da família no Brasil. Por isso, a orientação da Secretaria de Estado da Saúde é que as pessoas que desejam ser doadoras comuniquem essa decisão aos familiares ainda em vida.
A conversa pode facilitar a decisão quando a autorização for solicitada. Além da pele, outros tecidos, como as córneas, também podem ser doados e destinados a pacientes que necessitam desse tipo de tratamento.
Dados da Central de Transplantes do Estado mostram que São Paulo contabilizou 700 doadores e 6.099 captações de órgãos e córneas até agosto de 2026. Em 2025, foram realizados 8.875 transplantes no território paulista, crescimento de 6,8% em relação aos 8.311 procedimentos registrados em 2024.
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