Saúde • 19:28h • 11 de junho de 2026
Além dos pulmões: especialista alerta para os impactos do cigarro e do vape na saúde mental
Neuropsicóloga explica como a nicotina interfere no cérebro, favorece a dependência e pode agravar quadros de ansiedade, especialmente entre adolescentes e jovens
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Viva | Foto: Arquivo/Âncora1
Quando o assunto é cigarro ou cigarro eletrônico, os riscos à saúde costumam ser associados, principalmente, aos problemas respiratórios e cardiovasculares. Mas especialistas alertam que os danos podem ir além dos pulmões. A nicotina presente tanto no cigarro tradicional quanto no vape atua diretamente no cérebro, alterando mecanismos ligados ao prazer, ao controle emocional e ao comportamento.
O alerta ganha ainda mais importância diante do crescimento do uso dos dispositivos eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos. Comercializado por muito tempo como uma alternativa moderna e supostamente menos prejudicial, o vape acabou reduzindo a percepção de risco entre esse público e ampliando a exposição precoce à nicotina.
Como a nicotina afeta o cérebro
Segundo a neuropsicóloga Aline Graffiette, a substância interfere em áreas cerebrais responsáveis pela sensação de recompensa e prazer imediato, criando um ciclo que favorece o desenvolvimento da dependência.
Ela explica que muitas pessoas ainda associam o cigarro apenas aos prejuízos físicos, mas a nicotina também está relacionada a alterações na ansiedade, impulsividade, atenção e na necessidade constante de buscar novos estímulos. Com o uso repetido, o cérebro passa a depender desse mecanismo para gerar sensação de alívio ou bem-estar.
Outro ponto de atenção é que muitas pessoas recorrem ao cigarro ou ao vape justamente para tentar controlar o estresse e a ansiedade. No entanto, segundo a especialista, essa sensação de relaxamento costuma ser apenas temporária. A longo prazo, o consumo contínuo tende a alimentar o próprio ciclo de dependência e aumentar os sintomas de ansiedade.
Jovens são os mais vulneráveis
A preocupação é ainda maior quando o contato com a nicotina acontece durante a adolescência. Nessa fase, o cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente nas regiões ligadas ao controle emocional, à tomada de decisões e ao gerenciamento dos impulsos.
De acordo com Aline Graffiette, quanto mais cedo ocorre essa exposição, maiores podem ser os impactos sobre o funcionamento cerebral e sobre padrões de comportamento que acompanham a pessoa ao longo da vida.
Entre os sinais que podem indicar dependência estão a necessidade frequente de fumar ou vaporizar em momentos de tensão, irritabilidade quando não há consumo, dificuldade de concentração, sensação de que o relaxamento só acontece após o uso e aumento progressivo da frequência com que a nicotina é utilizada.
Debate precisa ir além dos danos físicos
Para a neuropsicóloga, ampliar a discussão sobre os efeitos da nicotina no cérebro é fundamental em um momento de popularização dos cigarros eletrônicos, principalmente entre os mais jovens.
Ela destaca que o debate sobre cigarro e vape não deve se limitar aos impactos respiratórios e cardiovasculares. Os efeitos sobre a saúde mental, o comportamento e o desenvolvimento cerebral também precisam fazer parte das campanhas de conscientização, especialmente em um cenário em que a iniciação ao consumo acontece cada vez mais cedo.
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