Economia • 13:05h • 17 de abril de 2026
Alta de custos pressiona pequenas empresas e reduz margem de quase metade dos negócios
Levantamento da Serasa Experian mostra que 47% das PMEs enfrentam forte pressão e têm dificuldade para repassar aumentos ao consumidor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
O aumento dos custos operacionais tem impactado diretamente a rentabilidade das pequenas e médias empresas no Brasil. Pesquisa da Serasa Experian aponta que 47% dos negócios relatam pressão alta ou muito alta nos últimos 12 meses, refletindo um cenário de dificuldade crescente para manter o equilíbrio financeiro.
Esse avanço das despesas já se traduz em perda de margem. Segundo o levantamento, 49% das empresas registraram queda na lucratividade, sendo 26% com redução significativa e 23% com impacto parcial. Apenas 14,7% conseguiram compensar os custos por meio de reajuste de preços, o que evidencia a limitação de repasse ao consumidor final.
A pressão ocorre em diferentes frentes. Entre os principais fatores estão o aumento no custo de insumos e matéria-prima, citado por 37% das empresas, seguido pela folha de pagamento, com 36%, tributos, com 32%, e aluguel, com 29%. O conjunto desses elementos amplia o desafio de manter a operação sustentável.
O perfil das empresas também ajuda a explicar a dificuldade. Entre os respondentes, 32% são microempreendedores individuais (MEIs), 19% microempresas e 12% empresas de pequeno porte, grupos que tendem a ter menor poder de negociação e maior sensibilidade a variações de custos.
Do ponto de vista setorial, o comércio lidera a amostra, representando 45% das empresas, seguido por serviços, com 36%, e indústria, com 18%. A predominância do varejo, mais sensível a preços, contribui para a dificuldade de repassar aumentos ao consumidor.
Regionalmente, o impacto é distribuído por todo o país, com maior concentração no Sudeste, que reúne 34% dos casos, seguido por Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, o que indica que a pressão de custos é um fenômeno nacional.
Diante desse cenário, a gestão financeira ganha ainda mais relevância. O uso de ferramentas de controle de caixa, análise de dados e planejamento estratégico passa a ser fundamental para sustentar as operações, especialmente em um ambiente de margens mais apertadas e menor capacidade de ajuste de preços.
Para especialistas, o momento exige maior atenção dos empreendedores na tomada de decisão, com foco em eficiência e organização financeira para enfrentar um cenário que combina aumento de custos e restrição de receitas.
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