Economia • 10:46h • 11 de abril de 2026
Alta procura por medicamentos para perda de peso vira alvo de golpistas na internet
Alta procura por canetas emagrecedoras e remédios à base de GLP-1 movimentou R$ 2,8 bilhões no e-commerce e elevou tentativas de fraude em 2025
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
A venda online de medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1 disparou no Brasil em 2025, impulsionando não apenas o faturamento do setor, mas também o número de tentativas de golpes digitais. Levantamento da Serasa Experian mostra que o e-commerce brasileiro registrou 1,8 milhão de pedidos desses produtos no ano passado, movimentando R$ 2,8 bilhões. O volume representa crescimento de 358% em relação a 2024.
No mesmo período, as fraudes evitadas nas vendas desses medicamentos aumentaram 14%, indicando que a expansão acelerada da demanda também ampliou o interesse de criminosos em explorar esse mercado.
Os medicamentos à base de GLP-1, hormônio relacionado ao controle da glicose e à sensação de saciedade, ganharam popularidade com o avanço das chamadas canetas emagrecedoras e de comprimidos com princípios ativos semelhantes, usados sob prescrição médica para diabetes e, em alguns casos, para manejo da obesidade.

Ao longo de 2025, o ritmo de crescimento ficou ainda mais evidente na comparação entre semestres. Do primeiro para o segundo semestre, os pedidos online desses medicamentos subiram 158%, enquanto o valor movimentado praticamente triplicou. O dado mostra que a aceleração da procura foi mais intensa na segunda metade do ano.
A tendência continuou em 2026. Apenas entre janeiro e fevereiro, o mercado já registrou 435 mil pedidos, movimentando R$ 734,9 milhões. O número se aproxima do total observado entre janeiro e junho do ano anterior. Nesse mesmo bimestre, cerca de 1,5 mil tentativas de fraude foram bloqueadas, reforçando a necessidade de monitoramento constante por parte de farmácias digitais, marketplaces e plataformas de venda.

Segundo Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, categorias que crescem rapidamente tendem a atrair ações oportunistas. Ele destaca que o desafio das empresas é ampliar mecanismos de segurança sem prejudicar a experiência de compra dos consumidores legítimos. Para isso, o mercado aposta em inteligência de dados, análise de comportamento e validações em múltiplas camadas.
Outro dado relevante envolve o chamado mercado paralelo, formado por canais digitais não oficiais. Embora o risco de fraude nesse ambiente seja quatro vezes maior do que em farmácias e drogarias online reconhecidas, esse segmento representa apenas 0,5% das compras de GLP-1 no comércio eletrônico.
Além disso, o mercado paralelo não acompanhou o mesmo ritmo de crescimento das operações formais, indicando que a maior parte dos consumidores continua concentrando compras em canais mais estruturados e rastreáveis.
Orientações para pessoas físicas e jurídicas
Diante do aumento da procura, a Serasa Experian orienta consumidores a priorizar canais oficiais, desconfiar de ofertas com descontos muito agressivos, verificar reputação do vendedor, conferir CNPJ e evitar links recebidos por mensagens ou redes sociais.
Para empresas, a recomendação é reforçar sistemas antifraude, adotar critérios mais rígidos para vendedores com baixa reputação e manter monitoramento constante também em ambientes digitais menos visíveis, como deep web e dark web.
Para o consumidor, especialmente em produtos ligados à saúde, segurança digital e procedência confiável caminham junto com o próprio cuidado médico
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