Saúde • 09:24h • 01 de abril de 2026
Alterações na respiração podem estar ligadas à hipertensão, mostra pesquisa
Cientistas da USP descobriram que neurônios de uma região chamada parafacial lateral contraem vasos sanguíneos durante a expiração, contribuindo com picos de pressão arterial
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Alterações na forma de respirar podem ajudar a explicar por que cerca de 40% das pessoas com hipertensão continuam com a pressão alta mesmo tomando remédios. A descoberta é de pesquisadores da Universidade de São Paulo e pode abrir caminho para novos tipos de tratamento.
Os estudos mostram que mudanças no padrão respiratório, principalmente quando há contrações fortes dos músculos do abdômen durante a expiração, podem contribuir para o aumento da pressão arterial.
Em testes com ratos, os cientistas identificaram que neurônios de uma região do cérebro controlam essa respiração mais ativa e também influenciam o sistema que regula a contração dos vasos sanguíneos. Isso faz com que os vasos se estreitem e a pressão suba, podendo levar à chamada hipertensão de origem neurológica.
Por outro lado, quando esses neurônios foram inibidos, a pressão arterial voltou ao normal em casos ligados à falta de oxigênio intermitente, situação comum em pessoas com apneia do sono.
Essa região do cérebro responsável pelo controle da expiração fica no tronco encefálico, área que conecta o cérebro à medula espinhal. Os resultados do estudo foram publicados em uma revista científica internacional.
Segundo os pesquisadores, a ideia não é agir diretamente no cérebro, mas sim desenvolver tratamentos que atuem nos sensores de oxigênio do corpo, reduzindo a atividade desses neurônios de forma indireta. Estudos anteriores já indicavam que bloquear certos receptores pode diminuir a pressão arterial, e agora foi possível entender melhor como esse processo funciona.
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e problemas renais. Ela pode ser influenciada por diversos fatores, como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, estresse, excesso de sal, colesterol alto e sedentarismo.
Mesmo sendo uma condição que pode ser prevenida e tratada, cerca de 1,4 bilhão de pessoas no mundo têm pressão alta, e apenas uma em cada cinco consegue controlar o problema de forma adequada.
No Brasil, recomendações médicas recentes passaram a considerar o nível de 12 por 8 como sinal de alerta, classificado como pré-hipertensão. O ideal é manter a pressão abaixo desses valores.
Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram técnicas avançadas para observar e controlar a atividade dos neurônios em laboratório. Eles conseguiram ativar e bloquear essas células específicas e acompanhar os efeitos sobre a respiração, o sistema nervoso e a pressão arterial.
O estudo mostrou, de forma inédita, que os neurônios responsáveis pela respiração também se comunicam com aqueles que controlam os vasos sanguíneos, influenciando diretamente a pressão arterial.
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