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Saúde • 10:06h • 31 de janeiro de 2026

Alusão comercial e perigo à saúde: por que o energético “Tadala” preocupa autoridades sanitárias

Publicidade festiva e referência a medicamento levantam preocupações sanitárias e reforçam o alerta sobre os perigos da automedicação em ambientes de consumo recreativo

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: CFF

Ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação.
Ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação.

O anúncio do lançamento do energético “Tadala”, edição limitada da marca Baly Energy Drink para o Carnaval de Salvador, provocou ampla repercussão nas redes sociais ao fazer alusão direta à tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil. Embora apresentado como uma ação criativa e bem-humorada, o uso de trocadilhos e referências explícitas a um fármaco de prescrição levanta preocupações relevantes do ponto de vista sanitário e da saúde pública.

A tadalafila não é uma substância isenta de riscos. Trata-se de um medicamento que atua no sistema cardiovascular e cuja utilização exige avaliação clínica prévia. O uso sem indicação e sem acompanhamento profissional pode provocar efeitos adversos como queda da pressão arterial, cefaleia intensa, alterações visuais, taquicardia, priapismo e, em situações específicas, eventos cardiovasculares graves. Esses riscos se ampliam quando há consumo concomitante de álcool ou interação com outros medicamentos, especialmente nitratos, comumente utilizados por pessoas com doenças cardíacas.

Ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação. A ideia de um produto com “sabor” que remete ao medicamento reforça no imaginário coletivo a noção equivocada de que seu uso é simples, seguro e livre de consequências. Esse tipo de mensagem é particularmente preocupante em ambientes como o Carnaval, marcados por consumo excessivo de álcool, longas jornadas de exposição ao calor e menor atenção aos sinais do próprio corpo.

A automedicação é um problema histórico no Brasil e está associada a atrasos no diagnóstico de doenças, agravamento de quadros clínicos, reações adversas evitáveis e aumento de internações por intoxicação medicamentosa. Nenhum medicamento deve ser utilizado com base em modismos, piadas ou promessas implícitas de desempenho. O uso racional de medicamentos pressupõe indicação correta, dose adequada, tempo de tratamento definido e acompanhamento contínuo.

Nesse contexto, o papel do farmacêutico é fundamental. Cabe a esse profissional orientar a população, esclarecer riscos, identificar interações medicamentosas e atuar como agente de educação em saúde. O farmacêutico é uma das principais barreiras contra o uso inadequado de medicamentos e sua atuação é decisiva para a promoção do cuidado seguro e responsável.

Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval.

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