Saúde • 18:50h • 17 de julho de 2026
Andropausa existe? Quando a queda da testosterona merece atenção e por que reposição não é para todos
Cansaço, perda da libido e redução da massa muscular podem ter várias causas; especialistas alertam que o uso de testosterona sem diagnóstico pode trazer riscos à saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SemFronteiras Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Cansaço constante, diminuição da libido, irritabilidade, perda de massa muscular e queda no rendimento físico são sintomas que muitos homens associam imediatamente à chamada andropausa. Mas será que todo homem passa por essa fase? E a reposição de testosterona é realmente a solução? Especialistas alertam que a resposta, na maioria dos casos, é mais complexa do que parece.
Embora a redução dos níveis de testosterona possa ocorrer com o avanço da idade, ela não acontece da mesma forma para todos os homens. Além disso, os sintomas frequentemente atribuídos à deficiência hormonal também podem estar relacionados a outras doenças, tornando indispensável uma avaliação médica antes de qualquer tratamento.
Queda da testosterona não é igual à menopausa feminina
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, parte dos homens pode desenvolver a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), condição caracterizada pela redução gradual da testosterona ao longo dos anos.
O urologista Hudson de Sousa Ribeiro, do Órion Complex, em Goiânia, explica que o quadro é bastante diferente da menopausa feminina.
"A redução da testosterona acontece de forma lenta e nem todos os homens irão apresentar sintomas. Existe muita desinformação nas redes sociais, levando algumas pessoas a acreditar que qualquer cansaço ou diminuição da libido significa falta de testosterona", afirma.
Sintomas podem indicar outras doenças
Entre os principais sinais associados à deficiência hormonal estão diminuição da libido, disfunção erétil, fadiga persistente, perda de massa muscular, aumento da gordura corporal, alterações de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração e redução da disposição.
No entanto, o especialista destaca que essas manifestações também podem estar relacionadas a problemas como diabetes, doenças da tireoide, depressão, distúrbios do sono e outras condições clínicas.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas nos sintomas ou em informações encontradas na internet.
Reposição hormonal exige diagnóstico e exames
O uso da testosterona ganhou popularidade nos últimos anos, impulsionado principalmente pelas redes sociais, onde frequentemente é associado ao rejuvenescimento, ganho de massa muscular e melhora da performance física.
Segundo Hudson, porém, a reposição hormonal não deve ser utilizada de forma preventiva, estética ou sem indicação médica.
"A reposição hormonal é indicada apenas para homens que apresentam sintomas compatíveis associados à comprovação laboratorial da deficiência de testosterona. O tratamento deve ser individualizado e precedido por uma investigação cuidadosa", explica.
Antes do início da terapia, o paciente deve passar por consulta, exame físico e exames laboratoriais, além da avaliação de fatores como saúde cardiovascular, próstata, fertilidade e condições metabólicas.
Uso sem acompanhamento pode trazer riscos
A Sociedade Brasileira de Urologia alerta que a utilização indiscriminada de testosterona pode provocar complicações importantes, incluindo infertilidade, trombose e aumento do risco de problemas cardiovasculares.
Por isso, qualquer tratamento deve ser acompanhado periodicamente por um médico, que fará o monitoramento dos níveis hormonais e da saúde geral do paciente.
Prevenção continua sendo o melhor caminho
Além da investigação hormonal quando necessária, hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para preservar a saúde masculina ao longo do envelhecimento.
Prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do peso e consultas periódicas ajudam a reduzir fatores de risco e permitem identificar precocemente alterações hormonais e diversas outras doenças.
Para o especialista, procurar atendimento apenas quando os sintomas já comprometem a qualidade de vida ainda é um comportamento comum entre os homens e que pode atrasar diagnósticos importantes.
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