Saúde • 16:44h • 22 de abril de 2026
Anticoncepcional masculino promete efeito reversível por até 2 anos
Injeção sem hormônios bloqueia espermatozoides e pode chegar ao mercado até 2028
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Um novo método contraceptivo masculino está em desenvolvimento e pode ampliar as opções de planejamento familiar nos próximos anos. Chamado ADAM™, o produto foi criado pela empresa americana Contraline e consiste em um anticoncepcional injetável de longa duração, sem uso de hormônios. A tecnologia utiliza um hidrogel aplicado diretamente nos canais deferentes, criando uma barreira física que impede a passagem dos espermatozoides, sem afetar a ejaculação ou o desejo sexual.
O procedimento é simples, feito em consultório com anestesia local, e dura entre 10 e 30 minutos. Após a aplicação, o hidrogel bloqueia mecanicamente os espermatozoides, que acabam sendo absorvidos pelo organismo. A proposta é funcionar como uma alternativa reversível à vasectomia, já que o material se degrada naturalmente com o tempo, dispensando a necessidade de remoção.
Os primeiros resultados de testes clínicos são considerados promissores. Participantes apresentaram azoospermia — ausência de espermatozoides no sêmen — por até 24 meses. Após esse período, o hidrogel perde sua estrutura, permitindo a retomada da fertilidade. A expectativa da empresa é que o método possa chegar ao mercado até o fim de 2028, dependendo das próximas etapas de testes e aprovações.
Outras abordagens não hormonais também estão em estudo. Uma delas é a pílula experimental YCT-529, que atua bloqueando um metabólito da vitamina A essencial para a produção de espermatozoides, interrompendo temporariamente esse processo. Estudos iniciais indicam que a substância é segura, e novas fases devem avaliar sua eficácia como contraceptivo.
Na área acadêmica, pesquisadores da Michigan State University investigam mecanismos celulares ligados à fertilização. Um estudo recente identificou um processo molecular que aumenta rapidamente a energia dos espermatozoides no momento em que eles se aproximam do óvulo. A descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos contraceptivos que atuem diretamente nesse mecanismo, sem interferir em outros sistemas do corpo.
Com esses avanços, especialistas avaliam que a contracepção masculina pode passar por mudanças importantes, com o surgimento de alternativas eficazes, reversíveis e que contribuam para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades reprodutivas.
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