Saúde • 11:26h • 05 de junho de 2026
Anvisa e Ministério da Saúde advertem que tadalafila não deve ser usada como pré-treino
Uso indiscriminado do medicamento para disfunção erétil com foco em hipertrofia carece de comprovação científica e impõe sérios riscos cardíacos e dependência psicológica
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde alertam para os riscos do uso da tadalafila como suposto pré-treino. O medicamento, que só pode ser vendido com prescrição médica, tem sido divulgado nas redes sociais como uma forma de aumentar o desempenho físico e favorecer o ganho de massa muscular, prática que não possui comprovação científica.
A tadalafila é um vasodilatador indicado para o tratamento da disfunção erétil, da hiperplasia prostática benigna e da hipertensão arterial pulmonar. Não existe aprovação para seu uso com finalidade estética ou esportiva.
A popularização da substância no ambiente fitness está relacionada à ideia de que o aumento do fluxo sanguíneo provocaria maior volume muscular durante os exercícios, efeito conhecido como “pump”. Especialistas, porém, destacam que não há evidências de que o medicamento promova hipertrofia muscular ou melhora significativa do desempenho físico.
Além da falta de benefícios comprovados, o uso inadequado pode trazer sérios riscos à saúde. Entre os principais efeitos adversos estão quedas acentuadas da pressão arterial, especialmente quando combinado com substâncias que contêm nitratos, além de possíveis complicações cardiovasculares em pessoas predispostas.
Outro risco é o priapismo, condição caracterizada por ereção prolongada e dolorosa, que exige atendimento médico imediato para evitar sequelas permanentes. Profissionais de saúde também alertam para a possibilidade de dependência psicológica, quando o usuário passa a acreditar que necessita do medicamento para alcançar desempenho físico ou sexual satisfatório.
A Anvisa tem intensificado a fiscalização de empresas e estabelecimentos que comercializam tadalafila misturada a suplementos alimentares ou em produtos sem autorização sanitária. Pela legislação, a substância não pode fazer parte da composição de suplementos.
O Ministério da Saúde orienta a população a evitar o consumo de medicamentos sem prescrição e a denunciar a venda irregular de produtos nas redes sociais e outros canais digitais. Segundo os órgãos de saúde, o uso de medicamentos deve ocorrer apenas com indicação e acompanhamento profissional.
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