Educação • 15:35h • 14 de outubro de 2026
Aos 68 anos, Creuza Oliveira inspira brasileiros a voltar à escola e lutar por seus direitos
Creuza Oliveira concluiu os estudos pela Educação de Jovens e Adultos e teve sua trajetória na defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas reconhecida pela universidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MEC | Foto: Divulgação
Aos 10 anos, Creuza Oliveira já trabalhava como empregada doméstica e observava as crianças da família onde prestava serviços irem à escola, enquanto ela permanecia em casa trabalhando. Décadas depois, conseguiu concluir o ensino fundamental e médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, em 2023, recebeu o título de doutora honoris causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em reconhecimento à sua atuação na defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas. Hoje, aos 68 anos, sua história mostra como o retorno à sala de aula pode transformar trajetórias interrompidas ainda na infância.
O desejo de estudar acompanhou Creuza durante toda a vida. A oportunidade surgiu quando ela se aproximou de um grupo de trabalhadoras domésticas e conheceu o curso noturno do Colégio Antônio Vieira, na Bahia, oferecido na modalidade então conhecida como supletivo. Foi nesse ambiente que retomou a formação escolar e encontrou outras pessoas com experiências semelhantes.
Além de aprender a ler, interpretar e ampliar seus conhecimentos, Creuza passou a participar de discussões sobre as condições de trabalho da categoria. A convivência com outras mulheres contribuiu para fortalecer sua participação na organização coletiva e na luta por direitos.
A ex-professora Marlene Souza Silva, que acompanhou sua trajetória, destaca a importância da EJA na formação de pessoas que utilizam o conhecimento adquirido para atuar em causas sociais. O reconhecimento concedido pela UFBA, em 2023, valorizou justamente essa história de mobilização e defesa das trabalhadoras domésticas.
Brasil registra menor taxa de analfabetismo da série histórica
A trajetória de Creuza ganha relevância diante dos desafios de escolarização da população adulta brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025, o menor índice da série histórica.
Para ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos, o Ministério da Educação mantém o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA. Entre as iniciativas está o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma que permite registrar o interesse em retomar os estudos e receber orientações sobre oportunidades de matrícula.
Instituído pela Portaria nº 275/2026, o sistema busca aproximar pessoas que desejam voltar à escola das redes de ensino responsáveis pela oferta de vagas.
Creuza também incentiva outras pessoas a retomarem a formação, independentemente da idade. Para ela, aprender a ler, compreender textos e reconhecer o próprio desenvolvimento representa uma conquista que pode influenciar também filhos e netos.
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