Variedades • 14:12h • 17 de junho de 2026
Apaixonados: especialistas do Iamspe explicam como acontece o ‘frio na barriga’
Do vício da paixão inicial à segurança do amor estável, hormônios e neurotransmissores liberados no encontro com a pessoa amada podem atuar a favor do bem-estar físico e emocional
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) explicam que as diferentes fases do amor são influenciadas por uma complexa combinação de hormônios, neurotransmissores e neuromoduladores produzidos pelo cérebro. Essas substâncias são responsáveis tanto pelas sensações intensas da paixão quanto pelos sentimentos de segurança e confiança que caracterizam relacionamentos duradouros.
Na fase inicial de um relacionamento, a paixão costuma ser marcada por emoções intensas. Nesse período, a noradrenalina e a dopamina desempenham papel fundamental. A noradrenalina aumenta o estado de alerta, acelera os batimentos cardíacos, reduz o apetite e pode até prejudicar o sono. Já a dopamina está associada ao desejo, à motivação e à sensação de recompensa, estimulando a busca constante pela pessoa amada e gerando expectativa prazerosa diante de mensagens, encontros e demonstrações de afeto.
Segundo especialistas, o aumento da liberação dessas substâncias intensifica as emoções e explica sintomas clássicos da paixão, como o “frio na barriga”, a agitação e a dificuldade de parar de pensar na pessoa amada. A dopamina atua no mesmo circuito cerebral relacionado aos mecanismos de recompensa e dependência, o que ajuda a entender por que a paixão muitas vezes se assemelha a um vício emocional. Ao mesmo tempo, a redução dos níveis de serotonina favorece pensamentos repetitivos e obsessivos sobre o relacionamento.
Com o passar do tempo, porém, essa intensa descarga química tende a diminuir. A fase da paixão dá lugar a um estágio mais estável, conhecido como sistema de apego. Muitas pessoas interpretam a redução da euforia como o fim do amor, mas especialistas ressaltam que é justamente nesse momento que o vínculo afetivo se fortalece.
Nessa etapa, entram em ação hormônios como a ocitocina e a vasopressina, responsáveis por estimular sentimentos de confiança, proteção e conexão emocional. Além disso, as endorfinas passam a exercer papel importante em relações estáveis, promovendo bem-estar, conforto e sensação de tranquilidade.
Os especialistas destacam que relacionamentos saudáveis podem trazer benefícios para a saúde física e mental. Sentimentos de segurança e acolhimento ajudam a reduzir os níveis de estresse, melhoram a qualidade do sono, favorecem o controle do cortisol e contribuem para a saúde cardiovascular. Por outro lado, relações marcadas por ciúme excessivo, insegurança constante e ansiedade podem produzir o efeito contrário, aumentando o desgaste emocional e prejudicando o organismo.
Para fortalecer os laços afetivos, os profissionais recomendam atitudes simples que reforcem a proximidade emocional, como abraços, contato visual, escuta atenta e demonstrações frequentes de carinho. Já para casais que desejam recuperar a intensidade da paixão, a orientação é investir em experiências novas, sair da rotina e compartilhar atividades capazes de despertar emoções e sensações diferentes.
Segundo os especialistas, a construção de um relacionamento duradouro depende justamente do equilíbrio entre estabilidade e novidade. Enquanto a confiança se desenvolve por meio da convivência e da repetição de gestos de cuidado, a paixão pode ser renovada por experiências que tragam surpresa, descoberta e emoção ao casal.
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