Saúde • 14:47h • 06 de julho de 2026
Aparência do rosto já é a principal causa de bullying nas escolas, e prevenção pode começar na infância
Julho Laranja reforça a importância da avaliação ortodôntica entre 6 e 12 anos para identificar alterações precocemente e reduzir impactos na saúde e na autoestima
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Presse | Foto: Arquivo/Âncora1
A aparência do rosto já é o principal motivo de bullying entre estudantes brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE. Entre os alunos que relataram ter sofrido esse tipo de violência, 30,2% apontaram a aparência do rosto ou do cabelo como a principal causa, percentual superior ao da aparência do corpo, que representa 24,7%. No total, 27,2% dos estudantes afirmaram ter sido vítimas recorrentes de bullying, índice superior ao registrado na edição anterior da pesquisa.
No contexto do Julho Laranja, campanha nacional de conscientização sobre a ortodontia preventiva, especialistas alertam que muitos dos problemas relacionados à aparência facial podem ser identificados ainda na infância. Em 2026, a iniciativa passou a integrar oficialmente o calendário nacional com a sanção da Lei nº 15.424/2026, voltada à conscientização sobre a importância do exame ortodôntico anual em crianças de 6 a 12 anos.
Alterações na mordida podem ser identificadas antes da adolescência
Segundo a ortodontista Cristina Teixeira, alterações como dentes desalinhados, mordida aberta ou mordida projetada costumam chamar a atenção de outras crianças e podem acabar se tornando alvo de brincadeiras e constrangimentos.
Ela explica que a avaliação precoce permite identificar alterações no crescimento dos ossos da face e problemas de oclusão em uma fase em que o desenvolvimento ainda pode ser direcionado com maior facilidade.
Dados da Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR) reforçam esse cenário. Em um levantamento realizado com 4.776 crianças entre 6 e 10 anos, apenas cerca de 15% apresentavam oclusão considerada normal. O estudo também apontou que 72% dos participantes tinham possibilidade de intervenção ortodôntica preventiva.
Tratamento precoce pode evitar procedimentos mais complexos
De acordo com Cristina Teixeira, muitas famílias ainda acreditam que a primeira consulta ao ortodontista deve ocorrer apenas na adolescência, quando todos os dentes permanentes já nasceram. No entanto, ela afirma que essa espera pode tornar o tratamento mais complexo.
Segundo a especialista, quando a avaliação ocorre entre os 6 e os 12 anos, é possível acompanhar o crescimento da face, corrigir alterações de forma mais simples e, em alguns casos, evitar extrações dentárias ou procedimentos cirúrgicos no futuro.
A escolha do mês de julho para a campanha também leva em consideração o período de férias escolares, que facilita o agendamento das consultas pelas famílias.
Benefícios vão além da estética
Embora o alinhamento dos dentes seja um dos aspectos mais conhecidos da ortodontia, especialistas destacam que os benefícios da avaliação precoce também envolvem funções importantes do organismo.
A correção de alterações na mordida pode favorecer a mastigação, melhorar a respiração, contribuir para a qualidade do sono e influenciar positivamente o bem-estar emocional das crianças.
Um estudo brasileiro realizado com 815 adolescentes mostrou que mais de 90% dos participantes gostariam de corrigir os dentes para melhorar a aparência, evidenciando a relação entre saúde bucal e autoestima.
Para os especialistas, a proposta do Julho Laranja vai além da estética. A campanha busca estimular o diagnóstico precoce de alterações ortodônticas, permitindo que crianças tenham acesso a tratamentos em uma fase em que as intervenções costumam ser mais simples e com melhores resultados para a saúde e a qualidade de vida.
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