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Saúde • 08:23h • 22 de janeiro de 2026

Aparência x qualidade: veja orientações para evitar desperdício de alimentos

Aparência um pouco marcada por fora e um formato menos bonito não significam que os produtos estejam impróprios para o consumo ou com o valor nutricional prejudicado. No Paraná, uma série de programas faz do estado destaque contra o desperdício de alimentos

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Agência de notícias do Paraná | Foto: Arquivo Âncora1

Uma aparência um pouco mais marcada por fora e um formato menos bonito não significam que os produtos estejam impróprios para o consumo ou com o valor nutricional prejudicado.
Uma aparência um pouco mais marcada por fora e um formato menos bonito não significam que os produtos estejam impróprios para o consumo ou com o valor nutricional prejudicado.

A escolha de frutas, verduras e hortaliças exige um olhar atento na hora da compra para evitar produtos impróprios para o consumo. Alimentos mofados, amolecidos, com odor característico e prejudicados na parte interna devem ser descartados. Mas atenção: é crucial não confundir alimentos estragados com os considerados apenas mais “feios” ou “imperfeitos”. Esses últimos mantêm integralmente sua qualidade e valor nutricional. O hábito de descartá-los só colabora para o aumento dos índices de desperdício de alimentos no Brasil e no mundo. Por isso, ele precisa mudar.

Uma aparência um pouco mais marcada por fora e um formato menos bonito não significam que os produtos estejam impróprios para o consumo ou com o valor nutricional prejudicado. Essa aparência mais rústica, inclusive, pode ser um indicativo positivo, sugerindo um cultivo mais sustentável no campo e um manejo menos intervencionista. As marcas nos alimentos podem ser cicatrizes naturais nas cascas ou deformidades no formato, que surgem, por exemplo, após eventos climáticos como ventos, chuvas, granizo.

“Nós aqui no Brasil temos a cultura de associar a perfeição e a beleza do alimento com o valor nutricional. E isso é um mito. Na verdade, nem tudo que sai da terra sai perfeito. Às vezes, o alimento estará um pouco tortinho. Às vezes, estará com uma cor um pouco diferente. Mas isso não inviabiliza o produto para comercialização”, explica a Márcia Stolarski, chefe do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Desan), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O mito de que alimentos mais bonitos são mais saudáveis contribui para um problema associado ao desperdício, com o descarte de alimentos que poderiam ser consumidos tranquilamente, mas são retirados das prateleiras dos comércios ou acabam indo parar no lixo.

“Isso traz consequências”, diz Márcia. “Além do problema para o meio ambiente com a geração de gases para o efeito estufa, os alimentos que não são perfeitos, que acabam não sendo comercializados, afetam o agricultor também. Ele produz e não consegue retorno do seu investimento. Compromete toda a cadeia. Então, a conscientização do consumidor e os cuidados com o manuseio dos alimentos é que vão ajudar a reduzir o desperdício”.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo desperdiça mais de um bilhão de toneladas de alimentos por ano. Em 2022, foram gerados 1,05 bilhão de toneladas de resíduos alimentares, o que dá um total de 132 quilos per capita e quase um quinto de todos os alimentos disponíveis para o consumo. Do total de alimentos desperdiçados em 2022, 60% vêm do desperdício caseiro, 28% dos serviços de alimentação e 12% do varejo.

Além disso, o desperdício de alimentos é responsável por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Os números são do relatório do Índice de Desperdício de Alimentos de 2024, divulgado em março de 2025.

Escolha certa

O alimento impróprio para consumo é muito característico. O cheiro com forte odor, a presença de mofo ou uma textura mais amolecida ajudam a diferenciar o que é um alimento que está somente “feio” de algo que está estragado. Se ele não traz essas características, só não está com a aparência que o consumidor espera, isso é um feio. Então, ele pode ser consumido.

O engenheiro agrônomo do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Raphael Branco de Araújo, explica os possíveis motivos da mudança de aparência. “Imagine a fruta lá no pé. Por algum motivo, alguém esbarra nela, algum inseto faz um dano superficial, ou surge um vento, um galho quebra e ocasiona uma ferida. O sistema metabólico da planta dará uma resposta a esse dano mecânico e se forma uma cicatriz. Ou uma mudança de cor mesmo, ficando um amarronzado que parece um risco. Isso não interfere em nada na qualidade da fruta”, orienta.

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