Educação • 11:54h • 16 de maio de 2026
Apenas 28% dos brasileiros avaliam educação no país como boa, aponta pesquisa da Ipsos
Dados apresentados na Bett 2026 mostram educação entre as principais preocupações nacionais e revelam impacto da pobreza e desigualdade sobre os jovens brasileiros
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
A qualidade da educação no Brasil é considerada “boa” por apenas 28% da população, segundo levantamento apresentado pela Ipsos-Ipec durante a Bett 2026, maior evento de educação da América Latina, realizado em São Paulo. Os dados fazem parte da pesquisa global Ipsos Education Monitor 2025 e colocam o país abaixo da média internacional, que ficou em 34%.
O cenário surge em um contexto de forte percepção de instabilidade social e transformação acelerada. De acordo com a pesquisa global “What Worries the World”, divulgada em março de 2026, 91% dos brasileiros acreditam que o mundo está mudando rápido demais, índice superior à média global de 83%. Nesse ambiente, a educação aparece como a sétima maior preocupação nacional entre quase 20 temas avaliados.
“Quando fazemos pesquisa de opinião pública com os brasileiros, as preocupações com questões econômicas, violência e pobreza sempre oscilam nas primeiras colocações. A educação estar em sétimo lugar é importante: o brasileiro anda preocupado com essa questão”, afirmou Rosi Rosendo, diretora da Ipsos-Ipec, durante palestra no Fórum de Gestores da Bett 2026.
Pobreza e desigualdade lideram preocupações sobre juventude
Os dados apresentados também mostram diferenças importantes entre a percepção brasileira e a média internacional sobre os principais desafios enfrentados pelos jovens.
Enquanto a saúde mental aparece como principal preocupação global em 30 países pesquisados, no Brasil a pobreza e a desigualdade lideram o ranking, apontadas por 40% dos entrevistados. Na sequência aparecem a baixa qualidade da educação, com 31%, além de bullying e saúde mental, ambos citados por 30% dos brasileiros.
Segundo a Ipsos, os resultados mostram que a juventude brasileira enfrenta um cenário marcado por múltiplas vulnerabilidades sociais, econômicas e emocionais.
Preocupação com inteligência artificial cresce no país
Outro tema debatido durante a Bett 2026 foi o impacto da inteligência artificial na educação. A pesquisa mostra que a percepção positiva sobre a IA vem diminuindo no Brasil nos últimos anos. Em 2023, 37% dos brasileiros acreditavam que a tecnologia teria efeitos mais positivos do que negativos na educação. Em 2026, esse índice caiu para 27%.
“Estamos vendo que a IA está sendo mais discutida, logo seus efeitos estão sendo mais evidentes, e a preocupação com os impactos negativos passa a ser maior”, analisou Rosi Rosendo. Apesar disso, o Brasil aparece entre os países menos favoráveis à proibição das redes sociais entre jovens.
Na comparação global, Indonésia e França lideram a percepção de que as redes sociais representam um dos maiores desafios da juventude e também concentram maior apoio a medidas restritivas.
Educação ganha espaço entre preocupações nacionais
Os dados apresentados durante o evento reforçam o avanço da educação no debate público brasileiro, especialmente diante das transformações tecnológicas, sociais e econômicas que impactam diretamente a formação das novas gerações.
Para especialistas presentes na Bett 2026, o cenário evidencia a necessidade de ampliar investimentos, fortalecer políticas públicas e discutir modelos educacionais capazes de responder às mudanças aceleradas do mundo contemporâneo.
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