Educação • 14:06h • 22 de janeiro de 2026
Aprender jogando: por que os games estão revolucionando a educação no Brasil
Da motivação ao desempenho acadêmico, uso de jogos digitais na educação ganha força, entrega resultados mensuráveis e reforça o papel do professor como mediador do aprendizado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da RPMA | Foto: Arquivo/Âncora1
Mais envolvente, personalizado e eficaz. É assim que especialistas e educadores definem o impacto do uso de jogos digitais na trilha de aprendizagem dos estudantes. A presença dos games no ambiente educacional cresce de forma consistente no Brasil, acompanhando o avanço da tecnologia nas salas de aula e, principalmente, a mudança no perfil dos alunos, cada vez mais conectados, interativos e visuais.
Dados recentes confirmam essa percepção. Pesquisa da Fundação Lemann em parceria com a Educa Insights mostra que 87% dos professores brasileiros acreditam que o uso de tecnologia, incluindo jogos digitais, melhora significativamente o engajamento dos alunos. Entre esses educadores, 68% relatam melhora no desempenho acadêmico após a introdução de recursos gamificados nas aulas.
Os efeitos positivos também aparecem em estudos internacionais. Um levantamento publicado na revista científica Computers & Education aponta que estudantes inseridos em ambientes de aprendizagem gamificados apresentaram desempenho até 14% superior em testes de conhecimento, quando comparados a colegas submetidos exclusivamente a métodos tradicionais de ensino.
Além do ganho acadêmico, a gamificação fortalece habilidades cognitivas e socioemocionais, amplia a motivação e melhora a retenção de conteúdo. Para os educadores, os jogos também funcionam como aliados na avaliação contínua, ao dialogar com a cultura digital dos alunos e permitir acompanhamento mais dinâmico do progresso individual.
Apesar dos benefícios, especialistas reforçam que a tecnologia não substitui o professor. Pelo contrário, potencializa seu papel. Morgana Batistella, diretora de Soluções Complementares da SOMOS Educação, destaca que os games funcionam como uma ponte entre o conteúdo curricular e a linguagem dos estudantes. “A gamificação amplia o alcance do que é ensinado, oferecendo novas formas de aprendizado alinhadas às vivências do aluno. O professor continua sendo o mediador essencial desse processo”, afirma.
Em um cenário no qual o uso de dispositivos móveis nas escolas ainda gera debates e restrições legais, a gamificação surge como exemplo prático de como o digital pode ser utilizado de forma pedagógica, estratégica e responsável, contribuindo diretamente para a eficácia do ensino.
Cinco motivos que explicam a eficácia dos games na aprendizagem
1. Engajamento elevado e contínuo
A lógica dos jogos, baseada em desafios, recompensas, progressão de níveis e feedback imediato, mantém o interesse dos estudantes e reduz a dispersão, especialmente em conteúdos considerados mais complexos.
2. Desenvolvimento de habilidades socioemocionais
Jogos colaborativos estimulam empatia, cooperação, comunicação e resolução de conflitos. Essas competências fortalecem a convivência escolar e são cada vez mais valorizadas dentro e fora da sala de aula.
3. Aprendizado personalizado e adaptativo
Plataformas gamificadas permitem que cada aluno avance no próprio ritmo, com desafios adequados ao seu nível de conhecimento. Isso reduz frustrações, diminui a evasão e melhora a retenção dos conteúdos.
4. Estímulo ao pensamento crítico e à tomada de decisão
Jogos de lógica, estratégia e simulação trabalham raciocínio lógico, criatividade e resolução de problemas. A UNESCO aponta essas habilidades como prioritárias para a formação de competências exigidas no futuro do trabalho.
5. Alinhamento com o currículo escolar
Cada vez mais, os games educacionais são desenvolvidos com base na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que permite sua aplicação direta como complemento às aulas de matemática, ciências, história, geografia e línguas, sem prejuízo aos objetivos pedagógicos.
O avanço da gamificação no ensino reforça uma tendência clara: aprender não precisa ser sinônimo de passividade. Quando bem aplicada, a tecnologia transforma a sala de aula em um espaço mais participativo, eficiente e alinhado à realidade dos estudantes, sem perder o rigor pedagógico nem o protagonismo do educador.
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