Ciência e Tecnologia • 09:10h • 01 de janeiro de 2026
Aprendizagem imersiva e realidade virtual despontam como tendências educacionais para 2026
Especialistas da Pearson apontam como IA, VR e novos modelos de liderança devem redefinir a forma de aprender e desenvolver pessoas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
A educação entra em 2026 pressionada por um ritmo de transformação mais acelerado do que a capacidade humana de adaptação. Em 2025, a inteligência artificial deixou de atuar apenas como ferramenta de apoio e passou a ocupar um papel central na experiência de aprendizagem, impulsionando percursos personalizados, flexíveis e integrados ao cotidiano de estudantes e profissionais. A expectativa para o próximo ano é que essa mudança se aprofunde, com a consolidação da aprendizagem imersiva, da IA agêntica e de novas exigências para a liderança educacional e corporativa.
Na Pearson, 2025 foi marcado pelo lançamento de soluções que aproximaram o aprendizado da rotina real. Ferramentas como o Communication Coach, que oferece orientações em tempo real sobre clareza e tom durante reuniões, e o Revibe, um dispositivo vestível com IA voltado à manutenção do foco, ilustram a transição para modelos mais práticos e contínuos de aprendizagem. Também ganharam espaço recursos de estudo baseados em IA e módulos de letramento digital, voltados ao uso responsável da tecnologia.
Para 2026, o desafio deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser estrutural. Com a tecnologia evoluindo mais rápido do que as habilidades humanas conseguem acompanhar, a prioridade passa a ser a criação de sistemas de aprendizagem acessíveis, intuitivos e preparados para o futuro. Especialistas da Pearson apontam três movimentos que devem definir esse novo ciclo.
Um dos principais vetores é a aprendizagem imersiva. Segundo Dave Treat, Chief Technology Officer Global da Pearson, o uso de Realidade Virtual (VR) e Realidade Estendida (XR) tende a amadurecer, deixando de ser apenas experimental. A expectativa é que essas tecnologias sejam aplicadas de forma alinhada à ciência da aprendizagem, com padrões pedagógicos claros. Atividades curtas, direcionadas e personalizadas devem ganhar espaço, seja por meio de experiências gamificadas, seja no desenvolvimento de habilidades práticas que simulam situações do mundo real. O foco passa a ser aprofundar a compreensão e acelerar a aplicação do conhecimento, não apenas impressionar com tecnologia.
Outro movimento relevante é a transição de sistemas passivos para modelos baseados em IA agêntica. Para Jody Gajic, diretor do Pearson Labs, 2025 foi um ano de avanços rápidos, mas ainda marcado por instabilidade e adoção limitada. Em 2026, a tendência é que agentes inteligentes deixem de apenas automatizar tarefas repetitivas e passem a atuar de forma mais autônoma, sempre sob supervisão humana. Inicialmente mais presentes em áreas como programação, esses agentes devem se expandir para outros setores, ajudando a resolver problemas, otimizar fluxos de trabalho e conectar dados entre diferentes funções. O diferencial competitivo, no entanto, não estará na adoção precoce, mas na capacidade das organizações de gerenciar esses agentes como parte da força de trabalho, com governança, ética e capacitação contínua.
O terceiro eixo destacado pelos especialistas está no aperfeiçoamento das habilidades de liderança. Com a IA assumindo atividades administrativas, como relatórios, agendamentos e atualizações de status, gestores passam a ganhar tempo. A questão central deixa de ser se a IA vai substituir lideranças e passa a ser como esse tempo será utilizado. Para Ali Bebo, Chief Human Resources Officer da Pearson, bons gestores terão a oportunidade de focar no que realmente impulsiona o desempenho, como coaching em tempo real, conversas individuais e desenvolvimento de equipes. O risco, segundo ele, é tentar delegar à IA também as dimensões humanas do trabalho, como diálogo sobre carreira e desempenho, o que compromete a confiança e a cultura organizacional.
O cenário desenhado para 2026 indica que tecnologia e aprendizagem estarão ainda mais integradas, mas o fator humano seguirá como elemento decisivo. Aprender de forma imersiva, colaborar com agentes inteligentes e liderar em ambientes cada vez mais automatizados exigirá não apenas domínio técnico, mas também senso crítico, responsabilidade e capacidade de adaptação contínua. Para instituições educacionais e empresas, o próximo ano deve marcar a consolidação de um modelo em que aprender deixa de ser um evento pontual e passa a ser um processo permanente.
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