Saúde • 10:04h • 27 de janeiro de 2026
Após cinco anos de vacinação, covid recua, mas ainda preocupa
Em 2025, foram registradas 1,7 mil mortes após infecção da doença
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Raquel Portugal/FioCruz
A vacinação contra a covid-19 começou no Brasil há cinco anos e foi fundamental para o fim da pandemia. Apesar disso, a doença continua circulando, ainda que em níveis bem mais baixos. Por isso, especialistas reforçam a importância de manter a vacinação, principalmente entre pessoas que não se vacinaram antes ou que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença.
Mesmo assim, a cobertura vacinal está muito abaixo do ideal. Em 2025, menos de 4 em cada 10 doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas 8 milhões chegaram à população.
Dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram os impactos dessa baixa cobertura. Em 2025, ao menos 10.410 pessoas desenvolveram formas graves da covid-19, e cerca de 1,7 mil morreram. Esses números consideram apenas casos confirmados por exames laboratoriais e ainda podem aumentar, já que parte das notificações é registrada com atraso.
O coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, alerta que o coronavírus continua sendo uma ameaça importante à saúde. Segundo ele, a covid ainda provoca surtos e segue causando um número elevado de casos e mortes, que acabam sendo vistos como normais quando comparados ao período mais crítico da pandemia.
A pesquisadora Tatiana Portella explica que, diferente da gripe, a covid-19 não apresenta um padrão sazonal definido. Isso significa que novas ondas podem surgir a qualquer momento, especialmente com o aparecimento de novas variantes, o que torna essencial manter a vacinação em dia.
Desde 2024, a vacina contra a covid-19 faz parte do calendário básico para crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas de grupos prioritários precisam receber doses de reforço regularmente. Ainda assim, a adesão é baixa. Em 2025, cerca de 2 milhões de doses foram aplicadas em crianças, mas o Ministério da Saúde não informou o percentual total de cobertura.
Dados do painel público de vacinação indicam que apenas 3,49% das crianças menores de 1 ano foram vacinadas em 2025. O Ministério da Saúde afirma que esses números não refletem a cobertura real, já que o público-alvo inclui crianças de até 5 anos, além de gestantes e idosos, e que está trabalhando para consolidar os dados.
Mesmo durante o período de emergência sanitária, a meta de 90% de cobertura nunca foi alcançada. Até fevereiro de 2024, pouco mais da metade das crianças de 5 a 11 anos havia sido vacinada, e entre as de 3 e 4 anos, o índice era ainda menor.
Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal razão para a baixa adesão é a diminuição da percepção de risco. Segundo ela, quando a vacinação infantil começou, os casos e mortes já estavam em queda, o que abriu espaço para a desinformação e o avanço do movimento antivacina.
Apesar disso, o risco da covid-19 para crianças é real. Menores de 2 anos são o segundo grupo mais vulnerável a complicações, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil crianças dessa faixa etária foram internadas com síndrome respiratória grave causada pelo vírus, e 801 morreram. Mesmo em 2024, quando a situação estava mais controlada, houve 55 mortes e 2.440 internações.
Além disso, crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, uma complicação rara, mas grave, associada à covid-19. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos da síndrome, com 142 mortes. Estudos internacionais também apontam aumento de problemas cardiovasculares em crianças e adolescentes após a infecção pelo vírus.
Por outro lado, a eficácia e a segurança das vacinas já foram comprovadas. Um estudo com crianças e adolescentes vacinados em São Paulo mostrou que poucas foram infectadas após a imunização e nenhuma apresentou quadro grave. Entre 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças no Brasil, com raros efeitos adversos, em sua maioria leves.
Isabela Ballalai destaca ainda o papel dos profissionais de saúde na orientação das famílias. Ela defende uma formação médica baseada em evidências científicas e reforça que a recomendação clara dos profissionais é fundamental para aumentar a confiança da população nas vacinas.
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