Saúde • 10:02h • 08 de julho de 2026
Após cinco anos de vacinação, covid recua, mas ainda preocupa
Em 2025, foram registradas 1,7 mil mortes após infecção da doença
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Cinco anos após o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a imunização foi decisiva para controlar a pandemia e reduzir o número de casos graves e mortes. Apesar disso, o coronavírus continua circulando e ainda representa risco, especialmente para pessoas não vacinadas ou que pertencem aos grupos mais vulneráveis. Por esse motivo, especialistas reforçam a importância de manter o calendário vacinal em dia.
A cobertura vacinal, no entanto, permanece abaixo do esperado. Em 2025, menos de quatro em cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram aplicadas. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas 8 milhões chegaram à população.
Os reflexos dessa baixa adesão aparecem nos dados da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No ano passado, mais de 10,4 mil pessoas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave após infecção pelo coronavírus, com cerca de 1,7 mil mortes confirmadas. Como parte dos registros ainda é inserida posteriormente no sistema de vigilância, esse total pode ser ainda maior.
Segundo o coordenador do InfoGripe, Leonardo Bastos, a covid-19 continua entre as doenças respiratórias de maior impacto para a saúde pública. Ele destaca que o vírus ainda provoca surtos periódicos e que os atuais números de casos e mortes continuam elevados, embora muitas pessoas tenham reduzido a percepção do risco após o período mais crítico da pandemia.
A pesquisadora Tatiana Portella acrescenta que, diferentemente da gripe, a covid-19 ainda não apresenta um comportamento sazonal bem definido. Novas ondas podem surgir a qualquer momento com o aparecimento de variantes mais transmissíveis, o que reforça a necessidade de manter a vacinação atualizada.
Crianças e grupos prioritários devem manter a vacinação em dia
Desde 2024, a vacina contra a covid-19 passou a integrar o calendário nacional de vacinação para crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas pertencentes a grupos prioritários devem receber doses de reforço conforme as recomendações do Ministério da Saúde.
Mesmo assim, a cobertura infantil segue muito abaixo do ideal. Em 2025, cerca de 2 milhões de doses foram aplicadas em crianças, mas os índices de vacinação permanecem insuficientes. O Ministério da Saúde esclarece que os dados atualmente divulgados ainda subestimam a cobertura real, pois contemplam apenas parte da população infantil, enquanto trabalha na atualização do sistema de monitoramento.
Especialistas atribuem a baixa adesão, principalmente, à redução da percepção de risco da doença e à disseminação de informações falsas sobre as vacinas. Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, o avanço do movimento antivacina ganhou força justamente quando o número de casos e mortes diminuiu, reduzindo a sensação de perigo entre as famílias.
Apesar disso, crianças pequenas continuam entre os grupos mais vulneráveis às complicações da covid-19. Dados da Fiocruz mostram que, entre 2020 e 2025, crianças menores de 2 anos registraram quase 20,5 mil casos de síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus, com 801 mortes. Somente em 2025 foram contabilizadas 2.440 internações e 55 óbitos nessa faixa etária.
Outro risco é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), complicação rara associada à covid-19 que pode comprometer diversos órgãos e apresentar elevada taxa de mortalidade. Estudos internacionais também apontam maior incidência de problemas cardiovasculares, como miocardite e tromboembolismo, após a infecção em crianças e adolescentes.
Por outro lado, pesquisas reforçam a segurança e a eficácia das vacinas. Um estudo realizado em São Paulo com 640 crianças e adolescentes vacinados com a CoronaVac registrou apenas 56 infecções após a imunização, sem nenhum caso grave. O monitoramento do Ministério da Saúde também mostra que os eventos adversos registrados em milhões de doses aplicadas em crianças foram raros e, na maioria dos casos, leves.
Os especialistas ressaltam ainda o papel dos profissionais de saúde na orientação das famílias e no combate à desinformação. A recomendação é que médicos e demais profissionais mantenham-se atualizados com base nas evidências científicas e reforcem a importância da vacinação para prevenir hospitalizações, complicações e mortes causadas pela covid-19.
Atualmente, a vacina é indicada para bebês a partir dos seis meses, crianças menores de cinco anos que ainda não completaram o esquema vacinal, gestantes, puérperas, idosos, pessoas imunocomprometidas e outros grupos prioritários, que devem seguir o calendário de reforços estabelecido pelo Ministério da Saúde. Pessoas entre 5 e 59 anos que nunca foram vacinadas também podem receber uma dose para iniciar a proteção.
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