Saúde • 16:48h • 24 de junho de 2026
Após diagnóstico de Alzheimer nos quatro avós, irmãos criam associação de apoio à cannabis medicinal
Entidade surgiu a partir da experiência com quatro avós diagnosticados com a doença e hoje oferece orientação e apoio a pacientes com condições neurodegenerativas, dor crônica, ansiedade e Parkinson
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O diagnóstico de Alzheimer em dois casais de avós motivou os irmãos Mateus, Rafael e Lucas Candini a buscar alternativas complementares aos tratamentos convencionais. A experiência familiar com a cannabis medicinal levou à criação da Angatu, associação sem fins lucrativos fundada em 2023 e que atualmente reúne mais de 1,5 mil associados em Minas Gerais.
A entidade atua na orientação de pacientes, familiares e profissionais de saúde, promovendo o acesso à informação qualificada sobre cannabis medicinal e auxiliando na condução dos tratamentos dentro das normas vigentes. O trabalho atende pessoas com diferentes perfis, mas tem forte presença de pacientes com doenças neurodegenerativas e condições crônicas relacionadas ao envelhecimento.
Alzheimer é a principal demanda da associação
Segundo a Angatu, o Alzheimer é atualmente a condição mais frequente entre os pacientes atendidos. O cenário acompanha uma tendência nacional. Dados do Relatório Nacional sobre a Demência apontam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros convivem com a doença e outras formas de demência, número que pode chegar a 5,7 milhões até 2050.
Pesquisas vêm investigando o uso medicinal da cannabis como terapia complementar para o manejo de sintomas associados ao Alzheimer, como agitação, ansiedade, alterações comportamentais e distúrbios do sono.
"Tudo começou dentro da nossa própria família, quando buscamos alternativas para melhorar a qualidade de vida dos nossos avós. Hoje trabalhamos para que mais pessoas tenham acesso à informação, ao acompanhamento adequado e a tratamentos conduzidos com responsabilidade e respaldo científico", afirma Lucas Candini, advogado e um dos fundadores da entidade.
Atendimento alcança diferentes perfis de pacientes
Além de pessoas com Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, a associação também acompanha pacientes com Parkinson, dor crônica, transtornos relacionados à saúde mental e doenças raras.
Segundo a entidade, a procura vem crescendo entre pessoas acima dos 50 anos, mas também inclui crianças, adolescentes e adultos que necessitam de acompanhamento especializado.
A proposta é atuar como ponte entre pacientes, profissionais da saúde e informações técnicas sobre o uso medicinal da cannabis.
Inclusão social e parcerias acadêmicas
Como associação sem fins lucrativos, a Angatu mantém iniciativas voltadas à inclusão de pacientes em situação de vulnerabilidade econômica, incluindo isenção de anuidade em alguns casos.
A entidade também desenvolve parcerias sociais para ampliar o acesso aos tratamentos. Uma delas é realizada com a Casa de Maria, que possibilita o fornecimento gratuito de óleo medicinal para pacientes, principalmente crianças e adolescentes com doenças raras.
Além da assistência aos pacientes, a associação mantém cooperação com a área de Farmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apoiando estudos, pesquisas e eventos voltados à cannabis medicinal.
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