Cultura e Entretenimento • 19:54h • 12 de janeiro de 2026
Após vitória histórica, “O Agente Secreto” reacende interesse do público e do Oscar
Vitória inédita em duas categorias projeta o cinema brasileiro no cenário internacional e leva espectadores de volta às salas e ao trailer do longa
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo Federal | Foto: Divulgação
O cinema brasileiro entrou para a história neste domingo, 11, ao conquistar dois prêmios na mesma edição do Globo de Ouro com o filme O Agente Secreto. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa venceu nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, prêmio concedido a Wagner Moura. O resultado marca a primeira vez que o Brasil leva dois troféus em uma mesma edição da premiação.
A conquista ocorre 27 anos após a vitória de Central do Brasil na mesma categoria e recoloca o país no centro do debate cultural internacional. O reconhecimento reforça o audiovisual como uma das principais ferramentas de projeção cultural do Brasil no exterior, em um momento de retomada e consolidação das políticas públicas voltadas ao setor.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o peso simbólico e econômico da premiação. Segundo ela, o cinema brasileiro se afirma como instrumento de projeção internacional, capaz de levar a diversidade cultural do país além das fronteiras, ao mesmo tempo em que gera emprego, movimenta a economia criativa e fortalece a democracia. A ministra também ressaltou a importância de investimentos consistentes e de longo prazo para que o talento nacional alcance reconhecimento global.
Investimento público e política de Estado
A produção de O Agente Secreto contou com investimento de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para a realização do filme e mais R$ 750 mil destinados à etapa de comercialização. O fundo é o principal mecanismo de fomento à indústria cinematográfica brasileira, financiando desde o desenvolvimento de roteiros até a distribuição e modernização de salas de cinema.
Para o Ministério da Cultura, os resultados internacionais e de público confirmam o impacto direto das políticas públicas no fortalecimento da cadeia audiovisual. A estratégia inclui estímulo à produção regional, diversidade de narrativas e liberdade artística, elementos apontados como decisivos para a projeção recente do cinema nacional.
Desempenho expressivo nas salas de cinema
Além do reconhecimento internacional, o longa também alcançou números relevantes no mercado exibidor brasileiro. Dados da ANCINE indicam que o filme já ultrapassou 1,09 milhão de espectadores e arrecadou mais de R$ 25 milhões, considerando o período entre a 52ª semana cinematográfica de 2025 e a primeira semana de 2026. Trata-se do primeiro filme produzido fora do eixo Sul-Sudeste a superar a marca de 1 milhão de espectadores nos cinemas do país.
Em 2025, 368 filmes brasileiros chegaram às salas, somando 11,11 milhões de espectadores e R$ 214,97 milhões em renda. O market share do cinema nacional fechou o ano em 9,9%, patamar considerado relevante diante da concorrência internacional.
Trajetória internacional e corrida pelo Oscar
Gravado em Recife, O Agente Secreto vem acumulando prêmios desde sua estreia mundial no Festival de Cannes, onde foi reconhecido pela direção e pela atuação de Wagner Moura. O longa já soma mais de 20 prêmios internacionais, incluindo o Critics Choice Awards 2026, como Melhor Filme em Língua Estrangeira, e o New York Film Critics Circle Awards, que consagrou Wagner Moura como Melhor Ator e o filme como Melhor Filme Internacional.
Selecionado pela Academia Brasileira de Cinema, o longa representa o Brasil na disputa pelo Oscar 2026, cuja cerimônia está prevista para 15 de março.
Sobre o filme
Ambientado no Brasil de 1977, durante a ditadura militar, o filme acompanha Marcelo, um professor especializado em tecnologia que retorna de São Paulo para Recife tentando escapar de um passado violento e misterioso. Em plena semana de Carnaval, o que deveria ser um recomeço se transforma em um ambiente de tensão, vigilância e paranoia, à medida que o personagem passa a se sentir observado e perseguido.
A produção é uma coprodução entre Brasil, França, Holanda e Alemanha, com distribuição nacional da Vitrine Filmes. O longa tem duração de 2h40 e roteiro assinado pelo próprio Kleber Mendonça Filho, com trilha sonora composta por Tomaz Alves Souza.
Com a repercussão da vitória no Globo de Ouro, o interesse do público pelo filme voltou a crescer, impulsionando buscas pelo trailer e por novas exibições nas salas de cinema. A expectativa do setor é que o reconhecimento internacional amplie ainda mais o alcance do longa junto ao público brasileiro nas próximas semanas.
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