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Responsabilidade Social • 18:42h • 17 de agosto de 2026

Assédio é denunciado, mas e depois? 49% das empresas ainda não têm protocolo de investigação

Pesquisa aponta que 35% das organizações não definem formalmente as consequências quando uma denúncia é comprovada

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Engenharia de Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1

Quase metade das empresas não sabe como investigar formalmente denúncias de assédio, aponta pesquisa
Quase metade das empresas não sabe como investigar formalmente denúncias de assédio, aponta pesquisa

O avanço das discussões sobre assédio moral e sexual no ambiente de trabalho ainda não se traduziu em estruturas capazes de responder aos casos em parte significativa das empresas brasileiras. Dados da Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil, Panorama 2026, mostram que 49% das organizações não possuem protocolo específico para investigação e 35% não contam com uma política formal que estabeleça as consequências quando uma denúncia é comprovada.

A fragilidade chega às próprias equipes encarregadas das apurações. Entre profissionais que atuam no combate ao assédio, 42% relatam algum grau de insegurança no exercício da função, indicando dificuldades relacionadas a respaldo institucional, autonomia e proteção para conduzir processos que podem envolver diferentes níveis hierárquicos.

Do outro lado está o trabalhador que precisa decidir se relata uma situação. Dados da KPMG citados no levantamento indicam que mais de 30% dos brasileiros afirmaram ter sofrido assédio no último ano. Entre eles, 38% permaneceram em silêncio, enquanto 58% disseram não se sentir seguros para denunciar.

Ter um canal de denúncia é apenas o começo

Os indicadores mostram que abrir uma porta para receber relatos não resolve sozinho o problema. Depois da denúncia, a empresa precisa ter critérios para analisar o caso, realizar a investigação, documentar o processo e definir providências quando a irregularidade é confirmada.

Para Rafael Mendes, CRO da LEME Inteligência Forense, o aumento da conscientização dos trabalhadores amplia também a responsabilidade das áreas de compliance. “As pessoas estão mais conscientes dos seus direitos e cada vez mais dispostas a denunciar condutas inadequadas. Isso amplia a responsabilidade do compliance, que precisa garantir investigações rápidas, imparciais e bem conduzidas, além de assegurar que as medidas adotadas sejam capazes de evitar a repetição do problema”, afirma.

Nesse cenário, plataformas de gestão começam a ser utilizadas para reunir informações que anteriormente poderiam permanecer distribuídas entre diferentes setores. A proposta é acompanhar denúncias, investigações, riscos e providências em um mesmo ambiente, permitindo identificar recorrências e padrões que um caso analisado isoladamente poderia não revelar.

Tecnologia tenta revelar problemas que permaneciam invisíveis

Um exemplo apresentado pela LEME é o de comportamentos inadequados recorrentes de uma mesma liderança. Quando os episódios permanecem isolados ou não chegam aos responsáveis pela integridade, a administração pode não identificar que diferentes trabalhadores estão relatando situações semelhantes.

Canais independentes, com possibilidade de registro anônimo, podem reunir essas ocorrências e permitir a identificação de padrões. A tecnologia, entretanto, depende da existência de procedimentos capazes de transformar os relatos recebidos em apurações estruturadas.

É nesse mercado que a empresa desenvolveu o Farol da Integridade, plataforma que reúne gestão de denúncias, monitoramento de riscos, investigações e programas de treinamento. As ocorrências podem ser registradas de maneira identificada ou anônima, com acompanhamento das diferentes etapas do processo.

Dados sobre denúncias também entram na prevenção de riscos

As informações acumuladas ao longo das apurações podem ter outra finalidade: identificar áreas, comportamentos ou situações que merecem atenção antes que novos episódios ocorram. Segundo a empresa, esses dados podem subsidiar inventários de riscos psicossociais relacionados à NR-1 e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

A mudança amplia a discussão sobre compliance para além da existência formal de códigos de conduta e canais de denúncia. O desafio passa a incluir a capacidade de registrar informações, investigar com critérios definidos, acompanhar os desdobramentos e utilizar o histórico para orientar medidas preventivas.

A tecnologia, porém, não elimina uma deficiência apontada pelos próprios números do setor: a falta de capacitação. Segundo os dados apresentados, 12% das empresas não realizam treinamentos sobre assédio e outras 25% promovem essas atividades apenas pontualmente.

Um em cada quatro responsáveis por investigar nunca recebeu capacitação técnica

A lacuna torna-se ainda mais significativa entre aqueles que precisam conduzir as apurações. O levantamento aponta que 26% dos profissionais responsáveis por investigar denúncias nunca receberam capacitação técnica para desempenhar essa função.

Esse dado ajuda a dimensionar o problema: uma organização pode possuir canal para receber relatos e ferramentas para organizar informações, mas ainda enfrentar dificuldades se as pessoas responsáveis por analisar situações sensíveis não estiverem preparadas para fazê-lo.

O tema estará entre as discussões da ExpoCompliance 2026, realizada de 18 a 20 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, na Consolação, em São Paulo. A LEME participará do evento e apresentará o Farol da Integridade, incluindo um módulo voltado à capacitação contínua de colaboradores, lideranças e equipes de compliance.

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