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Ciência e Tecnologia • 17:27h • 18 de fevereiro de 2026

Assis ainda é 9 vezes mais escura que a capital, mas vê seu céu clarear 2,6% ao ano

Dados internacionais de brilho do céu mostram que Assis supera São Paulo e Bauru na qualidade para observação astronômica, porém tendência de aumento da luminosidade artificial acende alerta na região

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1

Assis tem céu mais escuro que capitais, mas poluição luminosa cresce mais de 2,6% ao ano e pode reduzir vantagem astronômica
Assis tem céu mais escuro que capitais, mas poluição luminosa cresce mais de 2,6% ao ano e pode reduzir vantagem astronômica

O céu noturno de Assis é significativamente mais escuro que o de São Paulo e apresenta vantagem sobre cidades como Bauru e Marília, segundo dados de brilho zenital do site internacional Light Pollution Map, com base em medições de 2024. A comparação, feita a partir do índice SQM, indica que o interior paulista ainda preserva melhores condições para observação astronômica, mas também revela um crescimento contínuo da poluição luminosa na região.

O índice utilizado, expresso em mag/arcsec2, mede o brilho do céu noturno. Quanto maior o número, mais escuro é o céu e melhor a visibilidade de estrelas e da Via Láctea.

Ranking regional do brilho do céu em 2024

Dados coletados:

  • Assis: 19,87
  • Marília: 19,52
  • Bauru: 18,65
  • São Paulo: 17,46

Céu do interior é 9 vezes menos poluído que o da capital, mas avanço anual preocupa

Para comparação, áreas rurais pouco impactadas na Amazônia e no interior do Maranhão registram valores próximos de 22,00, considerados padrão de céu escuro natural.

A diferença entre Assis e São Paulo é de 2,41 pontos na escala. Como a medição é logarítmica, isso significa que o céu da capital é aproximadamente nove vezes mais brilhante que o de Assis. Na prática, isso representa uma redução expressiva na quantidade de estrelas visíveis a olho nu.

Assis ainda é privilegiada, mas tendência preocupa

Apesar da posição favorável no ranking regional, os dados históricos indicam mudança gradual no cenário. Em 2013, Assis registrava 20,04. Em 2023, o índice caiu para 19,52. Em 2024, aparece em 19,87, mas a linha temporal aponta aumento médio de cerca de 2,6% ao ano no brilho artificial.

Essa tendência significa que o céu está ficando progressivamente mais claro, efeito associado à expansão urbana, iluminação pública excessiva e crescimento comercial.

Embora ainda classificada como Bortle 5, faixa considerada intermediária com possibilidade de observação da Via Láctea em condições favoráveis, Assis se distancia do padrão rural profundo e se aproxima gradualmente de um céu urbano moderado.

Assis ainda enxerga estrelas que São Paulo perdeu, mas por quanto tempo

Comparação com cidades médias do interior

A diferença entre Assis e Bauru, por exemplo, é de 1,22 ponto na escala. Isso representa uma diferença relevante na qualidade da observação astronômica.

Bauru já apresenta características típicas de céu mais impactado, com maior halo luminoso urbano. Marília ocupa posição intermediária. Já a capital paulista, com índice de 17,46, enquadra-se nas classes mais altas de poluição luminosa, com visibilidade estelar severamente comprometida.

Céu do interior é mais escuro que o da capital, mostram dados de satélite

O que está em jogo

A poluição luminosa não impacta apenas a astronomia amadora. Estudos do INPE e de centros internacionais de monitoramento indicam que o excesso de iluminação artificial interfere em ciclos biológicos, migração de aves, comportamento de insetos e eficiência energética.

Além disso, a qualidade do céu noturno pode representar oportunidade econômica. Municípios com baixa poluição luminosa no exterior já exploram o chamado astroturismo, atraindo visitantes interessados em experiências de observação celeste.

No interior paulista, o diferencial ainda existe, mas a manutenção dessa vantagem depende de planejamento urbano e políticas públicas voltadas à iluminação eficiente e direcionada.

Imagens do céu de Assis registradas em 2023 com celular e edição para redução de luminosidade evidenciam a presença de estrelas ainda visíveis no município  | Foto: Arquivo/Âncora1 

Curiosidade: o padrão rural profundo

Enquanto Assis registra 19,87, áreas rurais isoladas no Amazonas e no Maranhão alcançam valores próximos de 22,00. Nesses locais, a Via Láctea é claramente visível, e o céu apresenta contraste elevado entre estrelas e fundo escuro.

Essa diferença reforça o quanto a iluminação artificial altera o ambiente noturno, mesmo em cidades de porte médio.

Interior tem vantagem, mas não garantida

Os dados mostram que o interior paulista ainda oferece céu consideravelmente melhor que o das capitais. Assis está em posição privilegiada no comparativo regional, porém a tendência de aumento do brilho artificial indica que essa condição pode se reduzir ao longo dos próximos anos.

A preservação do céu noturno passa a ser também uma discussão sobre planejamento urbano, eficiência energética e qualidade ambiental.

*Matéria atualizada às 17:54 para substituição de capa, representando melhor o brilho do céu na região do interior paulista.

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