Cultura e Entretenimento • 19:51h • 15 de outubro de 2026
Até onde uma adaptação pode mudar uma história sem perder sua essência?
Em artigo, Victor Fortunato analisa adaptações de Nárnia, Branca de Neve, A Pequena Sereia e outras produções para discutir os riscos de alterar elementos que marcaram gerações
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PRDA Assessoria | Foto: Divulgação
Mudanças em personagens, histórias e símbolos de franquias consagradas podem provocar resistência do público e comprometer a identidade construída por uma marca ao longo de décadas. Essa é a avaliação de Victor Fortunato, autor de um artigo que discute os riscos de modificar elementos centrais de obras conhecidas mundialmente. A análise parte das transformações promovidas pela indústria audiovisual e questiona até que ponto uma adaptação pode se afastar da criação original sem perder sua essência.
Um dos exemplos apresentados por Fortunato é a nova adaptação de As Crônicas de Nárnia, dirigida por Greta Gerwig para a Netflix, com estreia prevista para fevereiro de 2027. Segundo as informações citadas no artigo, Meryl Streep dará voz a Aslan, personagem criado por C. S. Lewis como uma representação literária de Cristo. Para o autor, a escolha de uma voz feminina para o leão representa uma mudança significativa em um dos símbolos centrais da obra.
Fortunato argumenta que adaptações cinematográficas podem atualizar figurinos, cenários e recursos narrativos, mas precisam considerar os significados associados aos personagens. Em sua avaliação, alterações que atingem o núcleo simbólico de uma história podem modificar a relação afetiva estabelecida com o público.
Adaptações de clássicos e reações do público
O artigo também menciona a produção Cleópatra, da Netflix, que provocou críticas no Egito pela representação da rainha como uma mulher negra. Fortunato relaciona a controvérsia às discussões sobre fidelidade histórica e liberdade criativa nas produções audiovisuais.
Outros exemplos citados são as novas versões de Branca de Neve e A Pequena Sereia, da Disney. O autor associa as mudanças realizadas nas personagens e nas narrativas à recepção controversa dos filmes e aos resultados comerciais considerados insatisfatórios.
A série ambientada no universo de J. R. R. Tolkien também aparece na análise. Fortunato aponta a criação de personagens e tramas inéditas como um dos fatores que provocaram questionamentos entre admiradores das obras originais.
Para o articulista, essas situações demonstram que o público não estabelece vínculos apenas com produtos de entretenimento, mas também com os valores, símbolos e memórias associados às histórias.
Polêmicas também podem fazer parte das estratégias de divulgação
Fortunato observa que o cinema historicamente participa da construção e da circulação de valores culturais. Como exemplos, menciona o código moral adotado por Hollywood entre 1934 e 1968 e a influência dos filmes norte-americanos durante a Guerra Fria.
Na avaliação do autor, o ambiente atual das plataformas de streaming acrescentou um componente comercial às controvérsias. Mudanças capazes de provocar discussões nas redes sociais também podem ampliar a visibilidade de uma produção antes mesmo de sua estreia.
O artigo conclui que a modernização de uma obra não representa necessariamente um problema, mas que decisões criativas precisam considerar os elementos responsáveis por sua identidade. Para Fortunato, quando uma adaptação se distancia excessivamente desses elementos, existe o risco de enfraquecer a confiança e a identificação do público com a marca.
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