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Ciência e Tecnologia • 20:43h • 23 de fevereiro de 2026

Austrália aprova primeira diretriz do mundo para terapia com psicodélico

Documento aprovado pelo NHMRC define critérios rigorosos para psicoterapia assistida com MDMA e restringe uso a casos específicos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Monash | Foto: Arquivo/Âncora1

Austrália publica 1ª diretriz clínica do mundo para uso de MDMA no tratamento de TEPT
Austrália publica 1ª diretriz clínica do mundo para uso de MDMA no tratamento de TEPT

A Monash University anunciou a publicação da primeira diretriz clínica do mundo para o uso apropriado da psicoterapia assistida por MDMA no tratamento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, TEPT. O documento foi aprovado pelo National Health and Medical Research Council, NHMRC, da Austrália, em 12 de fevereiro de 2026, e estabelece critérios técnicos para orientar profissionais de saúde na aplicação da terapia.

A diretriz foi desenvolvida pelo Centre for Medicine Use and Safety e pelo Neuromedicines Discovery Centre, ambos da Monash University. Trata-se da primeira orientação global elaborada com base no método GRADE, considerado padrão internacional na avaliação de evidências científicas e formulação de recomendações clínicas.

A publicação ocorre após a Austrália ter reclassificado, em 2023, o MDMA de substância proibida para substância controlada, permitindo que psiquiatras autorizados administrem o composto no tratamento de TEPT fora de ensaios clínicos. Em novembro do ano passado, o governo australiano anunciou que a terapia poderá ser reembolsada para veteranos elegíveis.

Critérios rigorosos e restrições claras

Segundo o professor Simon Bell, diretor do Centre for Medicine Use and Safety e presidente do comitê da diretriz, o documento reúne quatro recomendações formais, 21 declarações de boas práticas e 15 recomendações de pesquisa. As orientações consideram benefícios e riscos, grau de certeza das evidências, valores dos pacientes, recursos disponíveis, equidade, aceitabilidade e viabilidade.

A diretriz não classifica o MDMA-AP como tratamento de rotina. O uso é recomendado apenas para adultos com 18 anos ou mais, diagnosticados com TEPT há pelo menos seis meses, com sintomas moderados ou graves no último mês. Também deve ser restrito a pacientes que já tenham passado por tratamento de primeira linha baseado em evidências e que apresentem baixo risco de reexposição ao trauma durante a terapia.

A gerente do projeto, Dra. Alene Yong, destacou que quase metade das pessoas com TEPT não responde adequadamente aos tratamentos atuais, o que reforça a necessidade de novas abordagens. No entanto, ela enfatiza que há lacunas entre os dados de pesquisa e a aplicação clínica, exigindo cautela.

A diretriz recomenda fortemente que a terapia não seja utilizada em grupos excluídos de ensaios clínicos por razões de segurança. Entre eles estão gestantes, lactantes, pessoas com doença cardiovascular, transtornos psicóticos, sofrimento relacionado a ideação suicida e pacientes que utilizem medicamentos com potencial interação com MDMA.

Documento para profissionais e familiares

O material é direcionado principalmente a profissionais de saúde envolvidos no manejo do TEPT, como clínicos gerais, psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, farmacêuticos e terapeutas. Uma versão complementar está em desenvolvimento para pacientes, familiares e cuidadores.

A diretriz surge em um contexto de rápida expansão do debate global sobre terapias assistidas por psicodélicos, em um cenário que envolve incertezas clínicas e risco de desinformação. O desenvolvimento do documento contou com financiamento filantrópico ao Neuromedicines Discovery Centre, além de apoio da Monash University, da University of Melbourne e do Florey Institute of Neuroscience and Mental Health. O doador não participou do desenho, análise ou decisão de publicação.

A publicação estabelece parâmetros formais para um campo emergente da medicina e deve influenciar discussões regulatórias e clínicas em outros países nos próximos anos. Leia as orientações científicas aqui.

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