• Crianças de 10 a 14 anos concentram 41% das internações por diabetes tipo 1 em SP
  • Pastor Edinho cobra aplicação de lei de Alexandre Cachorrão sobre prevenção da violência sexual infantil
  • Defesa Civil coloca todo o estado de São Paulo em alerta laranja para temporais neste domingo
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 09:19h • 06 de abril de 2025

Autismo: entenda os impactos do diagnóstico tardio em adultos

Dificuldades de convivência e poucos relacionamentos

Da Redação com informações de Agência Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A partir do diagnóstico, ainda que tardio, o caminho a ser seguido, segundo Cunha, é simples: buscar informações detalhadas e sobre como o TEA afeta a vida adulta.
A partir do diagnóstico, ainda que tardio, o caminho a ser seguido, segundo Cunha, é simples: buscar informações detalhadas e sobre como o TEA afeta a vida adulta.

Desde a infância, a nutricionista Beatriz Lamper Martinez, de 48 anos, apresentava características marcantes que não encontravam explicação clara. Sua mãe a descrevia como uma criança excessivamente sensível e madura para a idade, envolvida emocionalmente com os problemas dos adultos. Ao longo da adolescência e da vida adulta, dificuldades na socialização, poucos amigos e desafios em manter relacionamentos foram constantes.

No entanto, apenas em setembro do ano passado, Beatriz recebeu o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA). Antes disso, desde 2013, era tratada para depressão e ansiedade sem sucesso. “Mudava a medicação, aumentava a dosagem, mas eu nunca ficava estável”, relembra.

O ponto de virada veio quando se relacionou com o pai de uma criança autista. À medida que conhecia mais sobre o TEA, começou a perceber semelhanças com suas próprias experiências. “Passei meses pesquisando, lendo sobre o assunto, até decidir procurar um psiquiatra especializado”, conta. O diagnóstico clínico foi seguido por uma bateria de testes neuropsicológicos, que confirmaram a condição: autismo nível 1 de suporte, além de altas habilidades e um quociente de inteligência (QI) acima da média.

A descoberta tardia permitiu que Beatriz reinterpretasse sua trajetória e compreendesse melhor as crises que a acompanharam por décadas. “Por anos, achei que eram recaídas de depressão. Hoje sei que são crises ligadas ao autismo. Se estou exausta e preciso descansar, já não me culpo mais. O diagnóstico trouxe um alívio imenso.”

No entanto, a aceitação social nem sempre foi fácil. Entre seus familiares, apenas a irmã sabe do diagnóstico. No ambiente de trabalho, precisou solicitar mudanças de rotina devido à sensibilidade sensorial. Sua chefe compreendeu a necessidade e a transferiu para um setor mais tranquilo. “Ainda assim, a resistência das pessoas me surpreendeu. A sociedade não está preparada para lidar com isso.”

“Eu não era uma criança fresca, havia uma explicação”

A publicitária Cecilia Avila, de 24 anos, sempre teve extrema sensibilidade a sons e texturas. Na infância, tecidos ásperos e etiquetas de roupas a incomodavam profundamente. Durante a adolescência, teve dificuldades em entender piadas e ironias e sentia que não se encaixava socialmente.

Somente no ano passado, já adulta, Cecilia recebeu o diagnóstico de TEA. “Passei a vida mascarando comportamentos para parecer ‘normal’. Quando finalmente descobri a explicação, foi um alívio, mas também um choque.”

Ela destaca que múltiplos fatores contribuem para diagnósticos tardios, como a falta de informação, dificuldades financeiras e a resistência familiar. “Muitos pais só percebem que também são autistas quando seus filhos recebem o diagnóstico e eles se identificam com as características.”

Para Cecilia, o reconhecimento da condição traz uma mudança significativa na qualidade de vida. “Agora sei meus limites, entendo até onde posso ir em interações sociais, quanto tempo suporto certos estímulos. O diagnóstico, mesmo tardio, nos ajuda a compreender que não éramos crianças birrentas ou dramáticas, mas sim pessoas com necessidades específicas que passaram anos sem a devida compreensão.”

O impacto do diagnóstico tardio

O psicólogo Leandro Cunha explica que a falta de um diagnóstico adequado pode impactar negativamente diversas áreas da vida adulta, incluindo o desempenho acadêmico e profissional, os relacionamentos interpessoais e até a saúde mental. “Muitos adultos autistas passam anos sendo tratados para ansiedade e depressão sem que a causa real seja identificada”, afirma.

Ele destaca que o nível 1 de suporte, anteriormente chamado de “autismo leve”, pode dificultar o reconhecimento dos sinais, especialmente em mulheres, que tendem a desenvolver estratégias para mascarar suas dificuldades. Além disso, fatores culturais e o estigma social contribuem para a invisibilidade do TEA na vida adulta.

“O diagnóstico tardio é essencial para que essas pessoas finalmente compreendam suas dificuldades e encontrem apoio adequado. Sem isso, passam a vida lidando com desafios sem saber o motivo, o que pode gerar angústia e sofrimento desnecessários”, conclui.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 12:29h • 24 de outubro de 2026

Você provaria? Cinco comidas típicas do Pará que surpreendem quem não conhece a Amazônia

Da maniçoba, que exige dias de preparo, ao tacacá, que provoca formigamento na boca, a culinária paraense reúne ingredientes e tradições ainda pouco conhecidos por muitos brasileiros

Descrição da imagem

Economia • 11:26h • 24 de outubro de 2026

Prefeitura de Assis gasta mais de R$ 67 mil por mês com aluguel de imóveis, aponta levantamento

Resposta ao vereador Fernando Kiko apresenta 22 contratos de locação para funcionamento de serviços municipais, incluindo unidades de saúde, educação e assistência social

Descrição da imagem

Educação • 10:49h • 24 de outubro de 2026

Governo de SP abre inscrições para evento gratuito sobre inteligência artificial e acessibilidade

Webinar será realizado em 18 de novembro, com especialistas em tecnologia assistiva, inclusão e Libras; participantes terão direito a certificado

Descrição da imagem

Esporte • 10:16h • 24 de outubro de 2026

Fim das bets no Brasil coloca Lei de Incentivo ao Esporte no centro das discussões sobre financiamento

Proibição das apostas esportivas e dos patrocínios ligados ao setor aumenta a atenção sobre incentivos fiscais e alternativas de captação de recursos para clubes, atletas e projetos esportivos

Descrição da imagem

Educação • 09:54h • 24 de outubro de 2026

FEMA reúne projetos de todos os cursos em seminário sobre ensino e extensão em Assis

Seminário reuniu trabalhos de extensão desenvolvidos pelos cursos da instituição e destacou a aplicação do conhecimento acadêmico em demandas da sociedade

Descrição da imagem

Saúde • 09:12h • 24 de outubro de 2026

Crianças de 10 a 14 anos concentram 41% das internações por diabetes tipo 1 em SP

Sede excessiva, emagrecimento e cansaço podem indicar diabetes tipo 1 em crianças; hospitalizações passaram de 1.348 para 1.980 em quatro anos

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 08:34h • 24 de outubro de 2026

Pastor Edinho cobra aplicação de lei de Alexandre Cachorrão sobre prevenção da violência sexual infantil

Após questionamento do vereador, administração municipal promete adotar providências, mas não apresenta prazos, ações ou planejamento para cumprir legislação de autoria do atual vice-prefeito

Descrição da imagem

Variedades • 08:01h • 24 de outubro de 2026

Defesa Civil coloca todo o estado de São Paulo em alerta laranja para temporais neste domingo

Assis e região também estão sob alerta para chuvas fortes, raios, ventos intensos e possibilidade de granizo; Governo de SP vai instalar gabinete especial de crise

As mais lidas do mês

Política

Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar

Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos