Saúde • 10:27h • 13 de maio de 2026
Autistas vulneráveis têm risco de morte hospitalar duas vezes maior
Pesquisa da Fiocruz, Harvard e Autism Speaks analisou dados de 10 anos e identificou maior vulnerabilidade entre mulheres, jovens e pessoas em situação de baixa renda
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Psiquiatria por pesquisadores da Fiocruz, da Universidade de Harvard e do instituto norte-americano Autism Speaks aponta que pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm o dobro do risco de morrer durante uma internação hospitalar, especialmente as mulheres. O estudo utilizou dados administrativos de saúde cruzados com registros do Cadastro Único (CadÚnico), já que taxas mais elevadas de mortalidade entre pessoas com TEA costumam estar associadas a fatores como baixa renda.
A pesquisa, conduzida pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), analisou 948 pessoas hospitalizadas com diagnóstico de TEA entre 2008 e 2018 e comparou os dados com indivíduos não hospitalizados. Os resultados também mostraram maior mortalidade entre jovens de 11 a 24 anos e entre pessoas com TEA sem comorbidades registradas. Para chegar às conclusões, os pesquisadores cruzaram informações do CadÚnico, do Sistema de Informação Hospitalar (SIH) e do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
O Transtorno do Espectro Autista é caracterizado por alterações no neurodesenvolvimento, que podem afetar comunicação, interação social e comportamento. Pessoas com TEA apresentam maior risco para determinadas doenças, principalmente respiratórias e neurológicas, o que aumenta as chances de internação hospitalar.
Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA, o equivalente a 1,2% da população. A maioria é formada por homens e crianças entre 5 e 9 anos. Apesar do aumento de diagnósticos entre pessoas negras, a prevalência ainda é maior entre pessoas brancas.
Causas das mortes
Ao analisar os óbitos, o estudo mostrou que pessoas hospitalizadas com TEA morreram com maior frequência por doenças respiratórias (24%) e neurológicas (20%). Já entre indivíduos sem hospitalização, as principais causas de morte foram doenças circulatórias (27,8%) e neoplasias (17,1%).
Problemas gastrointestinais também aparecem entre as principais causas de internação de pessoas com TEA. A seletividade alimentar, comum nesse grupo, pode provocar constipação, refluxo e diarreia crônica. Questões neurológicas, como epilepsia, também contribuem para o aumento das hospitalizações.
O estudo destaca ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito para pessoas com TEA por meio da Rede de Atenção Psicossocial, mas a oferta de serviços especializados ainda é insuficiente, especialmente em regiões do interior e áreas rurais. Segundo a pesquisadora Camila Bonfim, do Cidacs/Fiocruz Bahia, os resultados evidenciam fragilidades no acesso à assistência à saúde para pessoas com TEA em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com a pesquisadora, hospitais e ambulatórios especializados estão concentrados em grandes centros urbanos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, o que dificulta o atendimento adequado em outras localidades. Ela também ressalta que o estudo representa especialmente a população de baixa renda cadastrada no CadÚnico.
Atenção às comorbidades
Os pesquisadores também chamam atenção para o fato de que pessoas com TEA sem comorbidades registradas apresentaram maior risco de morte. Uma das hipóteses é que dificuldades de comunicação possam atrasar a busca por atendimento médico ou dificultar o diagnóstico precoce de outras doenças.
Outra possibilidade é a subnotificação de comorbidades nos registros hospitalares, já que diagnósticos secundários nem sempre são preenchidos no Sistema de Informação Hospitalar. O estudo aponta ainda que pessoas com TEA e comorbidades podem utilizar mais os serviços de saúde, o que ajudaria na prevenção de agravamentos.
Os autores defendem o fortalecimento da atenção básica e o treinamento das equipes de saúde da família para identificar precocemente comorbidades em pessoas com TEA, reduzindo internações evitáveis e melhorando o acompanhamento clínico dessa população.
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