Responsabilidade Social • 09:23h • 30 de junho de 2026
Auxílio-aluguel ajuda mulheres a romper ciclo da violência e reconstruir a vida em São Paulo
Benefício do Governo de São Paulo garante apoio financeiro para que vítimas de violência doméstica deixem o convívio com o agressor e retomem a autonomia com segurança
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O Auxílio-Aluguel do Governo de São Paulo tem possibilitado que milhares de mulheres vítimas de violência doméstica reconstruam suas vidas com mais segurança e autonomia. A iniciativa oferece um benefício financeiro temporário para que elas possam deixar a casa onde viviam com o agressor e iniciar uma nova etapa longe da violência.
Coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), o programa integra as ações do movimento SP Por Todas, que reúne políticas públicas voltadas ao acolhimento, proteção e fortalecimento da autonomia das mulheres em situação de violência.
Aurora*, uma das beneficiárias, conta que o auxílio representou muito mais do que ajuda para pagar o aluguel. Segundo ela, foi o início de uma nova vida, livre do medo e das agressões.
"Quando cheguei ao serviço de atendimento, estava em depressão e sem esperança. Sofria agressões constantes, humilhações e até passei fome. Hoje consigo sair de casa, reencontrei amigos e voltei a viver sem medo", relata.
Mãe de dois filhos, ela afirma que o benefício também ajudou nas despesas com medicamentos e permitiu recuperar a autoestima. Desde que rompeu o ciclo de violência, perdeu cerca de 30 quilos e diz que voltou a cuidar da própria saúde.
A história de Cícera* também mudou após receber o auxílio. Ela conseguiu alugar uma nova casa, distante do agressor, e passou a viver com mais tranquilidade ao lado da filha de cinco anos.
"Hoje entro em casa e sei que estamos seguras. Não vivo mais sendo ameaçada e minha filha voltou a ser uma criança feliz. Ela frequenta a escola, brinca e já não chora como antes", conta.
Além da proteção, Cícera afirma que o acompanhamento oferecido pela rede de assistência social contribuiu para recuperar a saúde mental e encontrar forças para denunciar o agressor. Agora, pretende retornar ao mercado de trabalho e seguir participando dos grupos de apoio.
Segundo ela, compartilhar experiências com outras mulheres fortalece quem ainda enfrenta situações semelhantes. "Hoje vivo outra vida. Posso andar na rua sem medo porque sei que estou protegida", afirma.
Criado em 2023, o Auxílio-Aluguel já beneficiou mais de 8,4 mil mulheres e conta com a adesão de quase 600 municípios paulistas. O programa concede R$ 500 mensais por até seis meses, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses, conforme avaliação da equipe técnica responsável pelo acompanhamento da vítima.
Para receber o benefício, a mulher deve possuir medida protetiva expedida pela Justiça, morar no Estado de São Paulo, estar em situação de vulnerabilidade social e ter renda familiar de até dois salários mínimos antes da separação do agressor.
O cadastramento é realizado pela rede municipal de assistência social nos municípios participantes, por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) ou Centros de Referência de Atendimento à Mulher. As Delegacias de Defesa da Mulher também orientam sobre o acesso ao benefício.
Após a análise e aprovação da Secretaria de Desenvolvimento Social, o pagamento é realizado por meio de uma conta poupança social do Banco do Brasil. O benefício pode ser suspenso caso a medida protetiva seja encerrada, a vítima retorne ao convívio com o agressor ou deixe de atender aos critérios de elegibilidade.
Nomes fictícios utilizados para preservar a identidade das entrevistadas.
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