Variedades • 13:16h • 05 de abril de 2026
Bacaba e outros alimentos esquecidos revelam riqueza nutricional do Brasil
Pesquisa aponta mais de 300 espécies pouco exploradas que podem ampliar a diversidade alimentar e fortalecer a saúde
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Bruno Kelly
Uma xícara de açúcar, quatro colheres de manteiga, quatro ovos, uma xícara de vinho de bacaba, três xícaras de farinha de trigo e uma colher de fermento: a receita simples resulta em um bolo nutritivo feito com um fruto típico da região Norte. Rica em vitamina E, ferro e manganês, a bacaba cresce em palmeiras e também pode acompanhar carnes, aves e peixes.
Assim como ela, diversas espécies ainda pouco conhecidas fazem parte da alimentação de comunidades tradicionais. Pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá identificaram esses itens como “alimentos negligenciados” — produtos que têm valor cultural e nutricional, mas ainda são pouco estudados e consumidos no país.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, aponta a existência de ao menos 369 espécies alimentares nativas ou subutilizadas no Brasil, incluindo algas, cogumelos, insetos, peixes, frutos e animais silvestres. O levantamento envolveu uma rede de pesquisadores nacionais e internacionais.
Segundo os especialistas, enquanto a dieta do brasileiro costuma se concentrar em poucos itens, como arroz, feijão e proteínas tradicionais, a biodiversidade do país oferece uma variedade muito maior de alimentos com potencial nutricional.
Na Amazônia, por exemplo, o aumento do consumo de ultraprocessados tem sido acompanhado por mais casos de anemia, diabetes e hipertensão. Nesse contexto, alimentos tradicionais da floresta podem ajudar a melhorar a qualidade da alimentação e combater a desnutrição.
Entre as espécies identificadas estão o baru, o camu-camu, cogumelos silvestres, insetos como a tanajura, peixes de água doce e carnes de caça. Para os pesquisadores, ampliar o conhecimento sobre esses alimentos pode contribuir tanto para a saúde quanto para a conservação ambiental.
O estudo utilizou ferramentas de inteligência artificial para analisar dados nutricionais e definir quais espécies devem ser priorizadas em pesquisas futuras. As plantas representam cerca de 30% da lista e concentram a maior parte das informações disponíveis, enquanto grupos como algas, insetos e cogumelos ainda são pouco explorados.
A expectativa é que o conhecimento produzido também beneficie as comunidades locais, valorizando saberes tradicionais e fortalecendo a segurança alimentar no país.
Quer conhecer mais receitas como a do bolo de bacaba e as propriedades nutritivas do fruto e outros alimentos negligenciados? Acesse o material produzido pelo Mamirauá.
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