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Saúde • 12:39h • 28 de julho de 2025

Baixa adesão à mamografia dificulta diagnóstico do câncer de mama

Cerca de 30% a 40% dos casos no Brasil ainda são identificados em fases avançadas, o que reduz significativamente as possibilidades de tratamento eficaz

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Muitas mulheres enfrentam dificuldades logísticas, como a distância dos serviços de saúde e horários incompatíveis com suas rotinas, o que contribui para baixa adesão, além da falta de conscientização sobre a importância da mamografia.
Muitas mulheres enfrentam dificuldades logísticas, como a distância dos serviços de saúde e horários incompatíveis com suas rotinas, o que contribui para baixa adesão, além da falta de conscientização sobre a importância da mamografia.

Dados do Panorama do Câncer de Mama revelam que o Brasil possui menos de 24% de cobertura mamográfica, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo também aponta disparidades raciais significativas: 44% das mulheres pretas e pardas recebem diagnóstico tardio, contra 36% das brancas. Especialistas alertam para a necessidade de melhorar o acesso e a conscientização sobre a importância do rastreamento.

A professora Maria Del Pilar Estevez, chefe da Oncologia Clínica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explica que diversos fatores contribuem para a baixa adesão aos exames preventivos. Em regiões remotas, como partes da Amazônia, o acesso pode exigir dias de viagem de barco. Mesmo em áreas urbanas, como o Sudeste, a cobertura ainda é insuficiente. A especialista ressalta que estratégias de busca ativa por meio da atenção primária são essenciais para melhorar esses índices.

A médica mastologista Bruna Salani Mota, também do Icesp, explica que a prevenção do câncer de mama deve ser abordada em duas dimensões complementares. A prevenção primária consiste em adotar hábitos que reduzam os fatores de risco, como manter um peso adequado (especialmente após a menopausa), praticar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, limitar o consumo de álcool a no máximo três doses semanais e evitar totalmente o tabagismo.

Segundo estudos, essas mudanças no estilo de vida podem diminuir em até 30% as chances de desenvolver a doença. Já a prevenção secundária, igualmente crucial, envolve o rastreamento sistemático por meio de mamografias anuais a partir dos 40 anos para a população em geral, com início mais precoce para mulheres que apresentem histórico familiar significativo ou mutações genéticas conhecidas que aumentem o risco. Muitas mulheres enfrentam dificuldades logísticas, como a distância dos serviços de saúde e horários incompatíveis com suas rotinas, o que contribui para baixa adesão, além da falta de conscientização sobre a importância da mamografia.

Diagnóstico e tratamento

Ao identificar uma lesão suspeita na mamografia, o próximo passo é realizar uma biópsia para confirmação histológica. Uma vez diagnosticado, o tratamento pode incluir cirurgia (desde abordagens conservadoras até mastectomia), hormonioterapia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, dependendo do tipo e estágio do tumor.

A professora Maria Del Pilar enfatiza que o prognóstico está diretamente ligado ao estágio do diagnóstico. Enquanto tumores detectados precocemente têm alta chance de cura, cerca de 30% a 40% dos casos no Brasil ainda são identificados em fases avançadas, o que reduz significativamente as possibilidades de tratamento eficaz.

Desigualdades raciais e estruturais

As especialistas alertam para as disparidades raciais no acesso ao diagnóstico e tratamento. Mulheres negras não apenas enfrentam mais barreiras socioeconômicas, como também têm maior incidência do subtipo triplo-negativo, o mais agressivo subtipo de câncer de mama, que não responde a alguns tratamentos hormonais.

Bruna Mota aponta que essa desigualdade é global. Por exemplo, nos Estados Unidos, a mortalidade por câncer de mama é 40% maior entre mulheres negras, evidenciando um problema global de acesso desigual. Para combater esse cenário, é essencial capacitar agentes comunitários de saúde e implementar políticas públicas que considerem as barreiras estruturais enfrentadas por populações vulneráveis.

Maria Del Pilar acrescenta que o racismo estrutural no sistema de saúde precisa ser reconhecido e combatido, desde a atenção básica até os centros especializados. Iniciativas como o letramento racial para profissionais de saúde podem ajudar a identificar e corrigir vieses inconscientes que afetam a qualidade do atendimento.

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