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Variedades • 09:45h • 05 de junho de 2026

‘Balada’ dos cupins: insetos encontram-se em pontos de luz antes de se reproduzir

Calor e umidade atraem cupins alados, que usam a luminosidade para estimular o voo nupcial

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

São cerca de 3 mil espécies espalhadas pelo mundo, com 350 apenas no Brasil. Durante a primavera e verão, com calor e umidade, eles saem em busca do par ideal para garantir a reprodução e criação da colônia.
São cerca de 3 mil espécies espalhadas pelo mundo, com 350 apenas no Brasil. Durante a primavera e verão, com calor e umidade, eles saem em busca do par ideal para garantir a reprodução e criação da colônia.

A combinação entre temperaturas elevadas e períodos de chuva cria as condições ideais para o surgimento dos chamados bichos de luz, conhecidos popularmente como aleluias, siriris ou cupins alados. Nessa época, os insetos aparecem em grandes grupos e costumam se concentrar próximos a fontes luminosas, como postes, lâmpadas, abajures e até telas de celulares. Essas aglomerações, chamadas de revoadas, fazem parte do processo reprodutivo da espécie.

Os cupins alados são a fase reprodutiva dos insetos que, posteriormente, podem formar colônias capazes de atacar móveis, portas, estruturas de madeira e outros materiais ricos em celulose. De acordo com especialistas do Instituto Biológico, vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as revoadas ocorrem principalmente nos períodos mais quentes e úmidos do ano, quando as condições ambientais favorecem a reprodução e a criação de novos ninhos.

Existem cerca de 3 mil espécies de cupins no mundo, sendo aproximadamente 350 registradas no Brasil. Durante a primavera e o verão, o aumento da temperatura e da umidade estimula os insetos a deixarem suas colônias em busca de parceiros para a formação de novos grupos.

Como os cupins formam colônias

Durante o chamado voo nupcial, machos e fêmeas férteis deixam suas colônias e se encontram com indivíduos de outros grupos para ampliar a diversidade genética. Após o acasalamento, eles pousam e perdem as asas naturalmente.

Sem as asas, as fêmeas liberam substâncias químicas chamadas feromônios para atrair os machos. Depois de formados os casais, inicia-se a busca por um local adequado para a instalação da nova colônia e a deposição dos ovos.

Nesse processo, a fêmea segue à frente enquanto o macho a acompanha em um comportamento conhecido como “tandem”, semelhante a um trem em movimento. Juntos, procuram um ambiente protegido que ofereça alimento e condições favoráveis para o desenvolvimento da colônia.

Sinais de infestação de cupins

Os cupins encontram condições ideais em locais onde há madeira disponível, seja em móveis, estruturas, portas ou telhados. Um dos principais indícios de infestação é a presença de pequenos montes de resíduos semelhantes a pó de madeira. Na realidade, esse material corresponde às fezes dos insetos.

Outro sinal comum é o aparecimento de asas transparentes espalhadas pelo chão, indicando que houve uma revoada recente nas proximidades.

Para evitar infestações, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) recomenda algumas medidas preventivas:

  • Manter os ambientes bem ventilados e secos;
  • Evitar o acúmulo de madeira em áreas úmidas;
  • Realizar inspeções periódicas em móveis e estruturas de madeira.

Durante os períodos de revoada, também é aconselhável instalar telas em portas e janelas, remover materiais infestados e ficar atento à presença de asas descartadas e resíduos semelhantes à serragem. Em casos de focos recorrentes ou grandes infestações, a recomendação é buscar avaliação especializada.

Os problemas causados pelos cupins

A capacidade destrutiva dos cupins está relacionada ao fato de se alimentarem de celulose, substância presente na madeira, no papel e até em alguns tecidos.

Por meio de um aparelho bucal adaptado para mastigação, os insetos consomem o interior da madeira, deixando móveis e estruturas ocas sem alterar significativamente a aparência externa. Em muitos casos, os danos só são percebidos após anos de atividade da colônia.

Além dos prejuízos em residências, especialistas alertam que infestações em árvores urbanas podem comprometer a resistência dos troncos, aumentando o risco de quedas durante tempestades e ventos fortes.

Importância ambiental

Apesar da fama de destrutivos, os cupins desempenham funções essenciais para o equilíbrio ambiental. Eles servem de alimento para diversas espécies, incluindo aves, mamíferos, répteis e anfíbios.

Os insetos também contribuem para a reciclagem de nutrientes nos ecossistemas, atuando na decomposição da matéria orgânica e na fertilização do solo, processos fundamentais para a manutenção da vida vegetal.

Cupins alados

Onde habitam: Madeira seca, solo e vegetação, especialmente troncos de árvores.

Características físicas: O tamanho varia entre 3 e 25 milímetros, sem considerar as asas. Os operários costumam ser menores que os soldados, enquanto os reprodutores são maiores. A rainha é o maior indivíduo da colônia, pois seu abdômen se expande para permitir a produção de milhares de ovos diariamente.

Ciclo de vida: Passa pelas fases de ovo, larva, ninfa e adulto. Durante o estágio de ninfa, fatores hormonais determinam quais indivíduos se tornarão operários, soldados ou reprodutores.

Alimentação: Todos os cupins têm a celulose como principal fonte de alimento, obtida da madeira, do papel e de tecidos vegetais.

Curiosidades: Operários e soldados possuem olhos pouco desenvolvidos ou ausentes e se orientam principalmente por feromônios e vibrações. Sua expectativa de vida varia entre um e dois anos. Já os indivíduos reprodutores podem viver por décadas, dependendo da espécie e das condições ambientais.

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