Esporte • 13:13h • 05 de janeiro de 2026
Banheira de gelo e massagem ganham espaço como estratégias de recovery entre atletas
Técnicas de recuperação muscular ajudam a reduzir dor e fadiga após treinos intensos, mas exigem critério, indicação profissional e cuidados específicos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Experta Media | Foto: Arquivo/Âncora1
A busca por estratégias eficazes de recuperação muscular, conhecidas como recovery, tem crescido entre atletas profissionais, amadores e praticantes de atividades físicas intensas. Entre as opções mais utilizadas estão a crioterapia, especialmente a imersão em banheira de gelo, e a massoterapia, técnicas que têm como objetivo reduzir a dor muscular, a inflamação e acelerar o retorno do corpo ao equilíbrio após o esforço físico.
A crioterapia utiliza baixas temperaturas para provocar respostas fisiológicas no organismo, enquanto a massoterapia atua por meio de manobras manuais que estimulam a circulação e o relaxamento muscular. Estudos científicos indicam que, quando aplicadas de forma adequada e por profissionais capacitados, essas práticas podem contribuir para a recuperação pós-treino.
Um estudo publicado no Journal of Physiotherapy, envolvendo 74 atletas de triatlo do Ironman Brasil, comparou grupos que receberam massagem terapêutica com aqueles que permaneceram apenas em repouso. Os resultados apontaram redução da dor muscular e da percepção de fadiga no grupo submetido à massagem após a corrida.
Outro levantamento, realizado durante a Ultramaratona Rio 24h e publicado na revista científica Motriz, analisou 1.995 atendimentos em 602 atletas. A pesquisa mostrou que massoterapia, crioterapia e alongamento contribuíram para a diminuição da dor após exercícios prolongados.
Além dessas abordagens, técnicas complementares como a drenagem linfática também aparecem com frequência nos protocolos de recuperação. Entre os benefícios relatados estão a melhora da circulação sanguínea e a eliminação de resíduos metabólicos acumulados nos músculos após treinos intensos, especialmente em corredores de longa distância.
Segundo o profissional de educação física e treinador João Paulo Pachela, a lógica do recovery está diretamente ligada à adaptação do organismo. Ele explica que o objetivo é “promover uma recuperação mais acelerada do corpo após situações de estresse físico”, conceito que vem sendo incorporado tanto em centros de treinamento quanto em clínicas especializadas.
Banheiras de gelo viralizam e dividem opiniões
A imersão em banheiras de gelo ganhou popularidade nas redes sociais, impulsionada por influenciadores e atletas que compartilham rotinas de recuperação. Do ponto de vista médico, o ortopedista Marco Aurélio Silvério Neves, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia, explica que a técnica pode ser indicada após atividades físicas intensas para reduzir processos inflamatórios musculares e articulares.
A prática consiste em submergir o corpo em água gelada por tempo controlado. Em ambientes supervisionados, recomenda-se água entre 5ºC e 10ºC, com permanência máxima de cerca de 10 a 11 minutos, conforme protocolos adotados em academias e centros esportivos.
O ortopedista especializado em joelho e traumatologia esportiva Marcos Cortelazo ressalta que a imersão em água fria provoca vasoconstrição, reduzindo temporariamente o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos tecidos, o que pode explicar a diminuição da dor logo após o exercício.
Apesar da popularidade, os resultados científicos ainda são divergentes. Um estudo publicado pelo American College of Sports Medicine comparou atletas submetidos à imersão em água fria a 10,3ºC com outros que permaneceram em água termoneutra. A pesquisa indicou que os efeitos da crioterapia não foram significativamente superiores ao placebo.
Por outro lado, uma investigação com atletas de jiu-jitsu, publicada no Journal of Athletic Training, apontou resultados positivos. Os praticantes que realizaram imersão por cerca de 19 minutos em água a 6ºC relataram menor dor e melhor recuperação muscular em comparação ao grupo controle.
Cuidados e indicações
Especialistas alertam que nem toda técnica de recovery é indicada para todos os perfis. O fisioterapeuta esportivo Gustavo Tasca recomenda que a crioterapia seja aplicada por períodos entre 5 e 12 minutos, com temperaturas de 8ºC a 15ºC, e frequência de duas a quatro vezes por semana. Pessoas com doenças circulatórias, neuropatias periféricas ou problemas respiratórios devem buscar avaliação médica antes de adotar a prática.
Cortelazo reforça que a crioterapia tende a ser mais indicada para atletas de alta performance ou praticantes de treinos muito intensos, como triatletas e corredores de longa distância. Para atividades recreativas ou moderadas, estratégias mais simples, como alongamento, descanso adequado e massagem leve, podem ser suficientes.
Com a popularização do recovery, cresce também a importância da orientação profissional. A escolha da técnica correta, respeitando limites individuais e objetivos de treino, é fundamental para que a recuperação seja segura, eficaz e não se transforme em mais um fator de risco à saúde.
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