Economia • 12:46h • 07 de março de 2026
Bares e restaurantes começam 2026 com mais prejuízos e queda no faturamento
Pesquisa da Abrasel aponta aumento de empresas no vermelho em meio a juros altos e consumo das famílias enfraquecido
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Abrasel | Foto: Arquivo/Âncora1
O setor de alimentação fora do lar iniciou 2026 sob pressão econômica. Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 23% das empresas operaram com prejuízo em janeiro, alta significativa em relação aos 16% registrados em dezembro. No mesmo período, o percentual de negócios com lucro caiu de 47% para 41%, enquanto 36% relataram situação de equilíbrio financeiro.
A retração também aparece no faturamento. Segundo a pesquisa, 57% dos empresários afirmaram que a receita de janeiro foi menor do que a registrada em dezembro de 2025. Apenas 25% tiveram crescimento nas vendas, enquanto 17% indicaram estabilidade. O dado sugere que a desaceleração atinge não apenas as margens de lucro, mas também o volume de vendas, pressionando diretamente o caixa dos estabelecimentos.
O cenário acompanha a perda de dinamismo da economia brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o consumo das famílias ficou estável no quarto trimestre de 2025 em comparação ao trimestre anterior. No acumulado do ano, o crescimento foi de 1,3%, bem abaixo da expansão de 5,1% registrada em 2024. A combinação entre renda mais pressionada e juros elevados afeta especialmente setores dependentes do consumo cotidiano, como bares e restaurantes.
Além da redução no faturamento, empresários relatam dificuldade para recompor custos. De acordo com o levantamento da Abrasel, 31% dos estabelecimentos afirmam não conseguir reajustar os preços do cardápio. Outros 38% fizeram aumentos apenas para acompanhar a inflação, 20% reajustaram abaixo da inflação e apenas 11% conseguiram aplicar correções acima da variação inflacionária.
A limitação para repassar preços, em um contexto de consumo mais fraco, contribui para a compressão das margens e aumenta a vulnerabilidade financeira das empresas. O ambiente de cautela também aparece nos indicadores de confiança: o Índice de Confiança Empresarial do setor de serviços recuou 0,7 ponto em fevereiro, refletindo expectativas mais moderadas para os próximos meses.
Segundo o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, o setor reage de forma imediata às oscilações da economia. “O setor responde rapidamente às variações do consumo. Quando a renda das famílias perde força e o crédito fica mais caro, o impacto aparece de imediato no movimento dos estabelecimentos”, afirma.
Apesar do início de ano mais fraco, o dirigente avalia que alguns eventos ao longo de 2026 podem ajudar a estimular o setor. “O aumento do número de empresas operando no vermelho acende um alerta para o risco de um ciclo mais apertado no setor. Ainda assim, este é apenas o início de um ano que traz diversas oportunidades, como vários feriados e eleições, que podem ajudar a compensar um começo de ano mais fraco do que o esperado. Também teremos a Copa do Mundo no meio do ano, com horários de jogos do Brasil na primeira fase muito propícios para os estabelecimentos. Vai ser uma grande festa e uma oportunidade para aquecer o movimento”, conclui.
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