Responsabilidade Social • 14:36h • 19 de abril de 2025
Bem-estar animal: o trabalho dos protetores e os avanços da legislação paulista
Parlamento estadual consolidou nos últimos anos uma robusta legislação, colocando São Paulo na vanguarda da proteção animal; iniciativas como o "Dia da Proteção Animal e do Protetor" reconhecem papel transformador de voluntários independentes ou organizados por meio de ONGs
Da Redação com informações da Alesp | Fotos: Agência Alesp e Arquivo pessoal
A personal trainer e protetora independente Bárbara Chiquetti conta que, desde a adolescência, já abrigava em sua casa animais que encontrava na rua. Ela cuidava dos bichinhos e depois procurava uma família para adotá-los com segurança e afeto. "Não podemos salvar o mundo, mas quando salvamos um animal, nós mudamos o mundo dele", diz.
Hoje, Bárbara também é voluntária da ONG "Recanto Gatravessos", em Santo André, no ABC Paulista, onde apoia no acolhimento, nos resgates e na arrecadação de dinheiro para financiar cuidados veterinários, alimentação, castração e divulgação para adoção de pets em situação de vulnerabilidade.
"Todos que trabalham na causa são apaixonados por salvar mais uma vida, porém a falta de empatia e de reconhecimento de algumas pessoas é um dos piores desafios que enfrentamos. Por isso, há muito a se fazer em prol da causa animal", complementa Bárbara.
O abandono e os maus-tratos aos animais é uma realidade enfrentada em todos os cantos do país. Voz atuante na causa, a médica veterinária Márcia Moreira explica que a ajuda de amigos e o trabalho de organizações não governamentais tem sido fundamental para resgatar, cuidar e encontrar tutores para adotar os pets. "Essa rede de apoio é necessária para alcançar mais animais e mudar a vida deles", destaca. "Cada vida que transformamos é uma motivação para continuar".
Para a veterinária, a solução é incentivar e promover a adoção responsável, a castração e a conscientização. "Cada animal que ganha um lar chega ao fim de um ciclo de sofrimento e invisibilidade social para começar uma história feliz", aponta Márcia, que também atua como protetora independente há nove anos.
Avanço na legislação paulista
Ao longo do tempo, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo tem mantido seu compromisso com medidas transformadoras na defesa do bem-estar animal. Um dos marcos é a instituição do "Dia da Proteção Animal e do Protetor de Animais", celebrado anualmente em 28 de abril. A data, instituída pela Lei 14.794/2012 e atualizada pela Lei 16.982/2019, reconhece o papel essencial de voluntários e entidades que se dedicam ao cuidado de animais em situação de abandono.
A comemoração integra o "Abril Laranja", mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra animais. A data também ressalta a atuação ativa de protetores na formulação de políticas públicas e na cobrança por legislação mais eficaz.
Seres sencientes
Outro avanço relevante é a Lei 17.972/2024, que reconhece cães e gatos como seres sencientes, ou seja, passíveis de sofrimento caso sejam colocados em más condições. Por conta disso, estão previstas novas medidas para garantir os direitos dos pets ao bem-estar animal.
Entre as novas regras, a legislação cria, também, a obrigatoriedade de que os cães e gatos sejam examinados, vacinados, microchipados e registrados antes da venda. Da mesma forma, estabelece que, em regra geral, os filhotes deverão ser castrados até os quatro meses de vida. A exceção fica por conta de cães de trabalho, como cães policiais, farejadores, de assistência terapêutica e cães-guia. Nesse caso, o prazo será de 18 meses.
Defesa animal
O Parlamento paulista aprovou medidas como o "Código de Proteção aos Animais", instituído pela Lei 17.497/2021. Já a Lei 15.316/2014, por sua vez, proíbe o uso de animais em testes de produtos cosméticos e de higiene pessoal. A norma repercutiu nacionalmente e gerou um profundo debate e reflexão na sociedade.
Outra norma importante é a Lei 16.303/2016, que criou a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), órgão virtual vinculado à Secretaria da Segurança Pública do Estado. Os cidadãos podem denunciar atos de violência pelo link www.webdenuncia.sp.gov.br/depa e seus dados são mantidos sob sigilo.
Mais recente, a Lei 17.640/2023 obriga os responsáveis por estabelecimentos veterinários a comunicar à Polícia Civil do estado, caso constatem indícios de maus tratos aos animais atendidos.

Impactos do Abandono
Nas ruas, os animais ficam expostos a diversos perigos que afetam diretamente seu bem-estar físico, emocional e psíquico. O abandono gera doenças, parasitas, fome, desnutrição, atropelamentos, envenenamentos, atos de violência, rico de ataque de outros animais e vulnerabilidade ao frio, calor e chuva. Muitos, inclusive, se tornam agressivos devido ao medo e estresse resultantes dos maus-tratos e à luta pela sobrevivência.
Outra consequência grave é a reprodução descontrolada de cães e gatos que aumenta o número de animais em situação de risco. Isso agrava a situação dos abrigos, que ficam superlotados e sem recursos suficientes para cuidar de todos os animais.
No caso dos gatos, a protetora Márcia Moreira explica que essa realidade é ainda pior, porque muitas vezes eles são vistos como independentes, mas muitos não conseguem sobreviver sozinhos.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos