Cidades • 12:36h • 26 de fevereiro de 2026
Bets empurram brasileiros para dívidas e já afetam 40% dos apostadores
Pesquisa revela aumento no valor das apostas, influência de "celebridades" e uso de empréstimos para jogar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria de Imprensa do Procon | Foto: Divulgação
Quase 40% dos apostadores que utilizam sites de jogos e apostas on-line já se endividaram após iniciar o uso das chamadas bets. O dado faz parte da segunda edição da pesquisa comportamental realizada pelo Procon-SP, respondida por 2.724 consumidores entre 4 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, e acende alerta sobre o impacto financeiro e social dessas plataformas.
O levantamento aponta que 39,7% dos entrevistados que apostam relataram endividamento relacionado aos jogos. Além disso, 52,4% afirmaram já ter comprometido boa parte da renda, utilizando dinheiro aplicado ou até empréstimos para apostar.
O perfil predominante dos apostadores segue semelhante ao identificado na edição anterior da pesquisa: maioria masculina, 61,8%, com até 44 anos, 82,5%, e renda de até dois salários mínimos, 38,6%. A diferença em relação a 2025 está no aumento do valor gasto mensalmente. Em média, 30,1% dos respondentes disseram consumir mais de R$ 1.000 por mês com apostas.
Entre aqueles que declararam ter se endividado, o perfil chama atenção: mulheres representam 53,9%, com até 30 anos, 44,7%, e renda de até dois salários mínimos, 46,8%. Segundo o Procon-SP, o dado reforça a necessidade de monitoramento constante do setor e de políticas de proteção ao consumidor.
A influência da publicidade também aparece como fator relevante. O estudo mostra que 56,6% dos apostadores se sentem influenciados por propagandas com "celebridades" ao decidir apostar. Em 2025, esse índice era de 52%, o que indica crescimento no impacto desse tipo de estratégia de marketing.
Outro ponto de alerta é a relação com as próprias plataformas. 62,2% dos entrevistados afirmaram já ter enfrentado problemas com as empresas de apostas, sendo o principal deles a recusa no pagamento de prêmios.
Apesar da criação de arcabouço regulatório em 2025, os indicadores de risco permanecem elevados. A pesquisa tem caráter educativo e servirá de base para ações de fiscalização, prevenção ao endividamento e educação para o consumo responsável.
A legislação garante aos apostadores os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor, como acesso a informações claras sobre regras, condições de resgate de valores, critérios de premiação e riscos envolvidos, incluindo a possibilidade de perda integral do valor apostado e questões relacionadas à ludopatia.
O Procon-SP também desenvolveu uma cartilha em parceria com a OAB para orientar consumidores e, desde o segundo semestre de 2025, promove palestras gratuitas sobre jogos e apostas. A próxima edição ocorre nesta quinta-feira, dia 26, às 14h, de forma on-line, com inscrições prévias.
O relatório completo da pesquisa está disponível no site do Procon-SP.
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