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Economia • 20:38h • 23 de janeiro de 2026

Bilionários acumulam US$ 18,3 trilhões e ampliam desigualdade global, aponta IJF

IJF aponta concentração histórica de renda, impacto ambiental desproporcional e defende tributação progressiva dos super-ricos

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da IJF | Foto: Arquivo/Âncora1

Riqueza dos bilionários atinge recorde global enquanto pobreza e crise climática se aprofundam
Riqueza dos bilionários atinge recorde global enquanto pobreza e crise climática se aprofundam

O número de bilionários no mundo atingiu um recorde histórico em 2025, com cerca de três mil pessoas concentrando US$ 18,3 trilhões em patrimônio, segundo dados reunidos pela Oxfam e pelo World Inequality Report. As informações foram analisadas pelo Instituto Justiça Fiscal (IJF) e pela campanha Tributar os Super-Ricos e divulgadas durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. O levantamento indica que apenas 12 pessoas concentram mais riqueza do que metade da população mundial, cerca de quatro bilhões de indivíduos.

De acordo com a Oxfam, a riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% em 2025, o equivalente a US$ 2,5 trilhões em um único ano, alcançando o maior patamar já registrado. No Brasil, 66 bilionários somam aproximadamente US$ 253 bilhões. No mesmo período, uma em cada quatro pessoas no planeta enfrenta insegurança alimentar, enquanto quase metade da população mundial vive em situação de pobreza.

Os dados do World Inequality Report apontam que a concentração de renda global é a maior dos últimos 30 anos. Os 10% mais ricos detêm 75% da riqueza mundial, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 2%. Desde 2020, as fortunas dos bilionários cresceram 81%. A riqueza acumulada em 2025 seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes, segundo a Oxfam.

Riqueza extrema bate recorde em 2025 enquanto pobreza e crise climática avançam | Foto: WEF_Matinas Nutt

O relatório também observa que o patrimônio do grupo mais rico do mundo avançou 16,2% entre novembro de 2024 e o fim de 2025, período que inclui a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ritmo é três vezes superior à média anual dos cinco anos anteriores. No topo do ranking global está Elon Musk, primeiro a ultrapassar US$ 500 bilhões em patrimônio, impulsionado principalmente pela valorização de empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Para o IJF, o cenário reflete escolhas estruturais. “A desigualdade não é fruto do acaso, mas de decisões políticas que blindam fortunas, fragilizam a democracia e aprofundam injustiças sociais e ambientais”, afirma a presidenta do Instituto Justiça Fiscal, Clair Hickmann. Segundo ela, a tributação dos super-ricos é uma medida de justiça fiscal, social e climática.

A concentração de riqueza também se traduz em impacto ambiental. O World Inequality Report mostra que o 1% mais rico do planeta é responsável por 41% das emissões de gases de efeito estufa associadas à propriedade de capital privado, quase o dobro das emissões geradas pelos 90% mais pobres. Estudos citados no relatório indicam que, apenas pelos padrões de consumo, esse grupo emite tanto carbono quanto os dois terços mais pobres da população mundial.

O poder econômico aparece ainda como fator de influência política e controle da informação. Segundo a Oxfam, bilionários têm quatro mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Multimilionários controlam mais da metade das maiores empresas de mídia e todas as principais plataformas de redes sociais, o que compromete a pluralidade democrática. Quase metade da população mundial acredita que pessoas muito ricas influenciam ou compram eleições.

Na América Latina, o Brasil lidera a concentração de riqueza. Para o IJF e a campanha Tributar os Super-Ricos, o cenário está ligado a um sistema tributário regressivo, que incide mais sobre trabalho e consumo do que sobre grandes fortunas, heranças, dividendos e lucros extraordinários, além de não responsabilizar de forma proporcional os grandes poluidores.

O Instituto Justiça Fiscal e a campanha, realizada no Brasil há cinco anos por cerca de 70 entidades, defendem uma reforma tributária progressiva como caminho para reduzir desigualdades, enfrentar a crise climática e fortalecer a democracia.

Entre as propostas estão:

  • Tributação efetiva e progressiva sobre grandes fortunas, heranças e dividendos;
  • Taxação de lucros extraordinários e ganhos excessivos em setores altamente concentrados;
  • Integração entre política tributária e política ambiental, com maior contribuição de quem mais polui;
  • Combate a monopólios e fortalecimento da regulação econômica;
  • Regras mais rígidas para lobby e financiamento político por grandes fortunas;
  • Fortalecimento dos serviços públicos e das políticas de proteção social;
  • Controle, redução e transparência das renúncias fiscais;
  • Redução dos tributos sobre o consumo.

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