Responsabilidade Social • 16:04h • 29 de março de 2026
Bitucas de cigarro colocam praias brasileiras entre as mais contaminadas do mundo
Estudo internacional aponta níveis até 40 vezes acima da média global e alerta para impacto de filtros plásticos nos ecossistemas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do INCA | Foto: Arquivo/Âncora1
Um levantamento internacional publicado na revista Environmental Chemistry Letters aponta que o Brasil concentra alguns dos ambientes mais contaminados por bitucas de cigarro no mundo. A análise reúne dados de 130 estudos realizados em 55 países entre 2013 e 2024 e revela níveis de poluição muito acima da média global, especialmente em praias.
A média mundial é de 0,24 bituca por metro quadrado. Em áreas costeiras brasileiras, esse número pode ser até 40 vezes maior. Em alguns locais, os resíduos chegam a representar mais de dois terços de todo o lixo marinho coletado.
Os filtros de cigarro são hoje o resíduo mais descartado no planeta, com cerca de 4,5 trilhões de unidades jogadas fora todos os anos. Apesar da aparência, eles não são biodegradáveis. São feitos de acetato de celulose, um tipo de plástico que pode permanecer no ambiente por décadas ou até séculos.
Quando entram em contato com a água, liberam microplásticos e mais de 7 mil substâncias químicas, incluindo nicotina, metais pesados e compostos cancerígenos. Segundo o estudo, uma única bituca pode contaminar mais de mil litros de água, afetando desde organismos microscópicos até espécies maiores da cadeia alimentar.
A pesquisa também mostra que áreas com proteção ambiental apresentam resultados significativamente melhores. Nessas regiões, os níveis de contaminação são, em média, cinco vezes menores, podendo chegar a quase dez vezes menos no Brasil. Ainda assim, nem mesmo esses locais estão livres do problema.
Para o epidemiologista do Instituto Nacional de Câncer (INCA), André Szklo, que integrou o estudo, a poluição por bitucas está diretamente ligada ao consumo e à percepção equivocada sobre os filtros. Segundo ele, durante décadas a indústria do tabaco reforçou a ideia de que os filtros seriam biodegradáveis, o que influenciou o comportamento de descarte.
O estudo reúne pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, como Unifesp, Unesp, INCA, Johns Hopkins University e Universidad San Ignacio de Loyola, e reforça a necessidade de políticas públicas, fiscalização e conscientização para reduzir o impacto desse tipo de resíduo.
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