Responsabilidade Social • 11:27h • 09 de maio de 2026
Bolsa Família elevou emprego e reduziu mortalidade, aponta estudo internacional
Working paper de pesquisadores ligados à Columbia, Stanford e FGV analisou a reforma do programa de 2012 e apontou que, entre os beneficiários, taxa de emprego cresceu 4,8% e a mortalidade caiu 14%
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da CUT | Foto: Roberta Aline / MDS - arquivo
Um estudo divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) aponta que a ampliação do Bolsa Família, em 2012, contribuiu para aumentar o emprego, reduzir internações hospitalares e evitar cerca de mil mortes entre famílias em situação de extrema pobreza. O levantamento, publicado como working paper em março de 2026, é assinado por pesquisadores ligados à Columbia University, à Stanford University e à Fundação Getulio Vargas (FGV).
A análise se concentra na reformulação do programa que instituiu um piso de renda, garantindo que nenhuma família permanecesse abaixo da linha de extrema pobreza. Segundo os economistas Michael C. Best, Felipe Lobel e Valdemar Pinho Neto, o aumento da renda funcionou como um mecanismo para remover barreiras básicas, como a falta de alimentação adequada e de acesso a medicamentos, permitindo melhores condições físicas e mentais para buscar e manter emprego.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores cruzaram dados do Cadastro Único (CadÚnico), da folha de pagamento do Bolsa Família, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). A metodologia comparou famílias que estavam logo abaixo da linha da extrema pobreza com aquelas imediatamente acima, antes e depois da mudança no programa.
Os dados indicam avanços consistentes. A taxa de emprego entre beneficiários cresceu 4,8%. A mortalidade caiu 14%, o equivalente a cerca de mil vidas preservadas. As internações diminuíram 8%, enquanto o tempo de permanência hospitalar teve redução de 6%. Também houve queda de 14% a 15% nos custos hospitalares financiados pelo Estado.
Em relação às causas das internações, os resultados mostram redução de 38% nos casos por subnutrição, 8% por doenças infecciosas e 9% por complicações digestivas. Ao mesmo tempo, os gastos das famílias com medicamentos aumentaram cerca de 50%, indicando maior acesso a tratamentos.
A mudança analisada foi implementada em 2012, durante o governo Dilma Rousseff, quando foi criado um complemento financeiro para assegurar que nenhuma família beneficiária ficasse abaixo da linha de extrema pobreza, mesmo após os repasses regulares do programa.
Os autores classificam os efeitos como um processo de “inclusão produtiva”. Ao garantir uma renda mínima que permita alimentação adequada, compra de remédios e maior estabilidade financeira, o programa amplia as condições necessárias para que as pessoas ingressem e permaneçam no mercado de trabalho.
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