Mundo • 11:58h • 29 de junho de 2026
Bombeiros de SP levam cães de resgate e ajuda às vítimas do terremoto na Venezuela
Equipe paulista embarca com especialistas em busca e salvamento, médicos militares e cães farejadores para atuar em áreas devastadas pelo desastre; experiência em tragédias anteriores reforça preparação para a missão internacional
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
A equipe especializada do Corpo de Bombeiros de São Paulo já está a caminho da Venezuela para reforçar as operações de busca e salvamento nas áreas atingidas pelo terremoto que devastou cidades do país. A missão leva equipamentos para resgate em estruturas colapsadas, recursos médicos, mantimentos, estrutura de abrigo para os profissionais e a experiência adquirida em grandes desastres nacionais e internacionais.
A equipe paulista é formada por 13 bombeiros militares, entre eles dois médicos militares, um integrante da Defesa Civil do Estado e dois cães de busca. O grupo integra a força-tarefa brasileira composta por 36 profissionais de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, mobilizada para apoiar as autoridades venezuelanas nas ações de resgate.
A comandante da missão paulista, major Daniela Santos Oliveira, explicou que toda a operação foi planejada para atuar de forma totalmente independente. Segundo ela, a equipe embarcou com estrutura completa para não depender de recursos locais durante a operação.
"Estamos indo como uma equipe de busca e salvamento urbano totalmente autossuficiente. Tudo o que levamos é para que não precisemos de absolutamente nada no local. Quando chegamos para ajudar alguém, não podemos criar novas demandas para quem já enfrenta uma tragédia. A autossuficiência é a palavra-chave dessa missão", afirma.
Além da estrutura para montagem de uma base de operações, os bombeiros transportam ferramentas especializadas para acessar edificações destruídas e localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.
Experiência em grandes tragédias
Os integrantes da missão acumulam experiência em operações de grande complexidade. A major Daniela participou das ações de resgate após o terremoto na Turquia, das enchentes no Rio Grande do Sul e do rompimento da barragem em Brumadinho. Para ela, essas experiências reforçaram a importância da preparação técnica e emocional.
"As missões anteriores nos ensinaram que precisamos estar muito preparados psicologicamente, além de manter toda a estrutura de autossuficiência. Foi essa experiência que nos trouxe novamente aqui, com capacidade técnica para atuar em uma situação tão complexa", destaca.
A capitão médica Fabiana Maria Ajjar, do Comando de Aviação da Polícia Militar, também integra a missão. Com experiência em operações humanitárias no Brasil e no exterior, ela explica que cada desastre exige estratégias específicas.
"Cada cenário exige um planejamento diferente. Na Turquia enfrentamos frio intenso e doenças respiratórias. Agora estamos indo para uma região quente, com outros riscos epidemiológicos. Levamos materiais e protocolos adequados para proteger toda a equipe e garantir o atendimento necessário", afirma.
Cães de busca reforçam as operações
Entre os integrantes da missão estão a cadela Malina, da raça pastor-belga malinois, especializada em localizar vítimas em estruturas colapsadas, e Kiara, que participará da operação para ganhar experiência em cenários reais.
Condutor de Malina, o sargento Laercio Leres também participou da missão brasileira enviada à Turquia em 2023 e destaca o papel fundamental dos cães em operações desse tipo.
"As equipes de resgate trabalham em conjunto com os cães de busca. Eles conseguem eliminar áreas onde não há vítimas, indicar regiões prioritárias e até apontar exatamente onde uma pessoa está. Em terremotos, existe uma chance maior de encontrar sobreviventes porque se formam espaços onde as pessoas podem permanecer vivas por alguns dias", explica.
Malina já demonstrou essa capacidade em diversas ocorrências. Em fevereiro deste ano, localizou com vida uma pessoa desaparecida em uma área de mata em Ribeirão Pires após outras equipes realizarem buscas sem sucesso.
A porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, capitão Karoline Burunsizian, reforça que a equipe brasileira embarcou preparada para iniciar os trabalhos assim que chegar à Venezuela.
"Não vamos depender de nenhum recurso daquele país nem representar mais um problema para quem já enfrenta tantos desafios. Estamos levando profissionais treinados, certificados internacionalmente e equipamentos especializados para operações de busca e salvamento em estruturas colapsadas", conclui.
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