Mundo • 13:06h • 01 de julho de 2026
Brasil ainda tem 6,2 milhões de jovens que nem estudam nem trabalham, revela diagnóstico inédito
Levantamento do Ministério do Trabalho mostra queda do desemprego e recorde de empregos formais, mas alerta para exclusão social, baixa qualificação e alta rotatividade entre os jovens
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
O Brasil tem 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, o equivalente a 15,4% da população, mas um dado preocupa: 6,2 milhões deles não estudam nem trabalham. O cenário faz parte do diagnóstico inédito "Os Jovens no Brasil: Permanências e Necessidades de Mudança", apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) durante evento realizado no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo.
Embora o estudo aponte avanços importantes no mercado de trabalho, como redução do desemprego e aumento da formalização, também evidencia desafios estruturais que ainda dificultam a inserção e o crescimento profissional de milhões de brasileiros.
Quase um em cada cinco jovens está fora da escola e do mercado
Segundo o levantamento, dos 32,9 milhões de jovens brasileiros:
- 12,8 milhões (39%) apenas estudam;
- 9,6 milhões (29,1%) apenas trabalham;
- 4,3 milhões (13,2%) estudam e trabalham;
- 6,2 milhões (18,7%) não estudam nem trabalham.
O Ministério do Trabalho destaca que esse último grupo continua sendo o principal alerta social da pesquisa. A situação atinge com maior intensidade mulheres negras e jovens que deixam os estudos ou o mercado formal para assumir responsabilidades relacionadas aos cuidados da família e do lar.
Mercado de trabalho apresenta melhora
Apesar do desafio, o estudo mostra que o mercado de trabalho para a juventude evoluiu nos últimos anos.
O país possui atualmente 13,9 milhões de jovens ocupados, número superior ao registrado antes da pandemia. A taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos caiu para 13,8%, praticamente metade do pico registrado em 2021.
Outro indicador positivo é o crescimento da formalização que hoje, aponta 57,8% dos jovens ocupados possuem carteira assinada, o maior percentual da série recente, enquanto a informalidade continua em queda.
Escolaridade aumenta, mas empregos ainda exigem pouca qualificação
A pesquisa revela que os jovens brasileiros nunca estiveram tão escolarizados. Atualmente, 73% já concluíram pelo menos o ensino médio, cerca de 2,3 milhões cursam o ensino superior e 944 mil já são graduados.
Mesmo assim, a maior parte continua concentrada em ocupações de baixa qualificação. Cerca de 84% trabalham em funções como vendedores, balconistas e escriturários, enquanto apenas um em cada sete ocupa cargos técnicos ou de nível superior.
Além disso, 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo, mostrando que a maior escolaridade ainda não se traduz, necessariamente, em melhores salários.
Rotatividade continua elevada
Outro ponto de atenção é a dificuldade de permanência no emprego. Mais da metade dos adolescentes trabalhadores permanece menos de um ano na mesma ocupação.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, quase quatro em cada dez também deixam o emprego antes de completar um ano, evidenciando uma elevada rotatividade justamente no início da carreira.
Educação e qualificação são apontadas como caminho
Durante a apresentação do estudo, a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, afirmou que a melhoria dos indicadores precisa ser acompanhada de oportunidades reais para que os jovens construam uma trajetória profissional consistente.
Entre as recomendações estão a ampliação das políticas de combate à evasão escolar, fortalecimento da aprendizagem profissional, expansão da qualificação em tecnologia e inteligência artificial e ações específicas voltadas aos jovens que atualmente estão fora da escola e do mercado de trabalho.
Para o superintendente institucional do CIEE, Rodrigo Dib, o diagnóstico reforça a importância de aproximar educação e empregabilidade para ampliar as oportunidades destinadas à juventude brasileira.
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